quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Bang Bang com Eros

1.
gozar não é metáfora
nem figura de linguagem
estratégia de trapezista

a língua é o pênis da fala
deus não dorme na sala
e o diabo é que é artista

2.
nesta questão fulinaíma
não há rima que nos separe
poesia ou coisa alguma
que teu olho aqui repare
palavra arte que assumes
amor
suor
- ou faca de dois gumes

3.
ave palavra cio
na porcelana ou na lata
lua de carne na boca
deusa em brasa na cama
tecendo vergonha alguma
no fruto do amor que se ama
chapada dentro da mata
lambendo meus sexo feito louca
com lírios se abrindo
na lama
e se assim não for a vida
é pouca

ave palavra erótica
dos atos a mais sagrada
juras secretas mais profanas
para queimar teu recato
com meus dedos de fogo
ou de fato
incendiar tua fogueira
em todo altar na primeira
vez que se é consagrada
em vai e vem gera três
e a carne em riste tarada
esperma o que nunca fez

4.
o nosso ofício
é quase sempre lei dos gumes
leminski.torquato.faustino
tracei assim meu destino
em teu vício meu costume

palavra pedra
palavra pluma
as vezes vida
sem harmonia alguma

objeto concreto
essencial no abstrato
imagens do espelho
espelho do retrato

assim como se diz
sendo isso ou sendo aquilo
ou sendo aquilo quando isso
a forma estética do estilo

ou a beleza do maldito
dentes meus nos teus mamilos
chupando o leite dos teus seios
quando ficam mais bonitos

Froydiana
Publicado no livro Couro Cru & Carne Viva(1987)
Prêmio Internacional de Poesia Universidade Laval Quebec-Canadá


silvinha
azul são os teus olhos
a cor dos pêlos não conheço
teus seios ainda não toquei

dracena é uma terra roxa
nave extra/terrena
que humanos não decifraram
pequena vagina virgem
onde os dedos ainda não entraram
e os cachos de uvas
apodrecem nos teus dentes
como um cheiro de leite ardente
esguichando na distância

Artur carNavalha Gumes

http://carnavalhagumes.blogspot.com

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