sexta-feira, 29 de maio de 2009

Jura Secreta 76

faca não tem perfume
rosa sem espinho
é planta falsa
quando quero ando sem calça
gosto de estar NU

passando a língua na relva
os dentes mordendo a Eva
em carne viva
& couro cru

Artur Gomes
http://goytacity.blogspot.com/

Estive hoje no local da total distância, no tempo da absoluta indiferença. São estas as viagens que qualquer um pode fazer, não saindo de casa, encerrado no confinado de um quarto, encerrado no interior de si. Há quem o faça pela madrugada, enquanto a cidade dorme, ou domingo à tarde, que é quando a tristeza dói mais, por parecer única. Estive hoje suspenso a rever-te, antiga fotografia de uma viagem que eu não fiz a um destino onde nunca estarei. Há momentos assim: ferem-nos a retina, arquivam-se no cérebro, ficam, como as gravuras dos velhos livros de um parente morto, amarelecidos e para sempre esquecidos, no alto de uma estante, na prateleira do nunca mais.

José António Barreiros

por falar em sexo
quem anda me comendo é o tempo
na verdade faz tempo
mas eu escondia porque ele
me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente
e disse: tempo se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando

Viviane Mosé

Mataram a Poesia Leminski
Jura Que Não Foi Ele

Três Metades

Meio dia, um dia e meio,
meio dia, meio noite,
metade deste poema não sai na fotografia,
metade, metade foi-se.

Mas eis que a terça metade,
aquela que é menos
dose de matemática
verdade do que soco, tiro, ou coice,
vai e vem como coisa
de ou, de nem, ou de quase.

Como se a gente tivesse metades
que não combinam, três partes,
destempestades, três vezes ou vezes três,
como se quase, existindo,
só nos faltasse o talvez.

Paulo Leminski (do livro Distraídos Venceremos)

Associação dos Blogueiros Desocupados
http://associaodosblogueirosdesocupados.blogspot.com

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