quarta-feira, 29 de julho de 2009

Mapeados, 32 saraus de SP estarão
em guia a ser lançado neste mês
Levantamento privilegiou grupos que se reúnem com periodicidade fixa - maioria fica na região central da capital

Edison Veiga

A cidade de concreto também faz poesia. Sob esse lema, a organização Poiesis - mesma instituição que administra a Casa das Rosas e o Museu da Língua Portuguesa, entre outros locais - organizou e prepara o lançamento, previsto para este mês, de um inédito folheto com os "pontos de poesia" da Grande São Paulo. O levantamento resulta de um trabalho de quatro meses do poeta Rui Mascarenhas. "Surpreendi-me muito com a diversidade temática dos saraus. Cada comunidade tende a transformar em poesia suas diferentes realidades", afirma. "

O importante é que todos os grupos estimulam a produção literária." O folheto, que será distribuído gratuitamente na Casa das Rosas e nos endereços onde ocorrem os saraus - a tiragem inicial é de 5 mil exemplares -, traz uma relação de 32 eventos com periodicidade fixa. E localiza em um mapa. É nítido, por exemplo, que a maior parte está concentrada na região central. Por outro lado, aparecem muitas iniciativas em bairros de periferia, como Cidade Tiradentes, Itaim Paulista e São Miguel Paulista, na zona leste. O mapa ainda inclui grupos das cidades vizinhas de Suzano, Guarulhos, Carapicuíba, Embu, Pedreira, Diadema e Santo André.

Em geral, os saraus são frequentados por aficionados por poesia que moram na região onde ocorrem - ou têm alguma ligação artística com os organizadores. Com o mapa publicado, espera-se que surjam, entretanto, mais figuras como o poeta Renato Palmares, de 44 anos, apelidado de "peregrino da poesia". Não é para menos: desde 2005, é assíduo frequentador de vários saraus diferentes.

"Chego a participar de quatro em uma semana." Palmares mora no Campo Limpo, zona sul. Ali perto, costuma comparecer ao Sarau do Binho - que ocorre sempre às segundas - e ao Sarau da Cooperifa - às quartas. Quinta-feira é dia de enfrentar ônibus, trem e metrô para, após uma "viagem" de 2 horas, participar do Elo da Corrente, em Pirituba, zona norte. Palmares também é figurinha fácil no Sarau Poesia na Brasa - quinzenalmente, aos sábados, na Vila Brasilândia, zona norte. "O mais importante é o movimento em si", empolga-se ele, que trabalha como produtor cultural e já teve textos publicados em quatro coletâneas de poesia.

"Tenho visto muita molecada que faz poemas e se orgulha da própria existência." O Sarau da Cooperifa, desde 2001, é um bom exemplo de como a poesia pode mexer com os moradores da periferia. Transformou-se em um evento que costuma atrair 200 pessoas a cada edição, sempre no Bar do Zé Batidão, na Chácara Santana, em M Boi Mirim. "Quem lê enxerga melhor", resume o poeta e organizador, Sérgio Vaz.

Em abril, o sarau promoveu, pelo terceiro ano consecutivo, o "Poesia no Ar", em que todos os poetas foram convidados a colocar poemas dentro de 500 balões de gás hélio. Como eles dizem, "para ninguém ficar sem poesia na cidade, o sarau chega via aérea na casa das pessoas". E se a poesia pode vir, assim, por acaso, por que os saraus precisam nascer de forma planejada? O Sarau Elo da Corrente, de Pirituba, começou como evento de lançamento de um livro - Desencontros, do poeta Michel da Silva Ceriaco, em 2007.

"Queríamos fazer uma festa, acabou virando um evento semanal de confraternização do bairro", diz a mulher, a poetisa Rachel Almeida da Silva, uma das organizadoras.

PARA TODOS OS GOSTOS

O Sarau Diverso Politeama, em Pinheiros, começou como um clubinho fechado, em 2006. "A gente se reunia na casa de amigos e apresentava as criações", conta a poetisa Barbara Leite. No ano seguinte, a ideia se expandiu e o encontro passou a ser público, em um bar. E engana-se quem pensa que só a poesia tem espaço nesses eventos. "Chegou lá é só fazer a festa: poesia, música, teatro, dança. Pretendemos estimular a comunicação entre todas as artes." Do clubinho fechado para hoje, a principal mudança foram os endereços. De lá para cá, o sarau transferiu-se cinco vezes de local. "Somos o sarau mais itinerante que existe", brinca Barbara. Nem tanto.

Exemplo de nomadismo é o Sarau Portátil, outra iniciativa do gênero, que une literatura, música, cinema e teatro em bares e praças aleatoriamente. Em dezembro, nasceu o ZAP: Zona Autônoma da Palavra, evento que ocorre uma vez por mês na Pompeia. A noite começa com a projeção de filmes, seguida pelo "microfone aberto" - em que poetas podem declamar ou ler textos. Mais tarde, o ponto alto: uma batalha poética, em que os participantes são julgados por uma comissão formada na hora. Qualquer pessoa pode participar. "É só chegar e se inscrever", diz a poetisa Roberta Estrela D´Alva, uma das organizadoras. O campeão da noite leva um kit com livros, CDs e DVDs.

Mas não são só novas - e moderninhas - iniciativas que roubam a cena poética paulistana. Exemplo de tradição é a Casa do Poeta Lampião de Gás de São Paulo, que promove saraus desde 1948. Atualmente, os encontros acontecem quinzenalmente, no auditório da Associação Paulista de Imprensa, na Liberdade. "Provavelmente somos o sarau, em atividade, mais antigo da cidade", acredita a vice-presidente da entidade, poetisa Analice Feitoza de Lima.



como naquela questão da semiótica do método orgânico grâmico de não compor nesta pluma vara pássaro que me arara ave que me declara máscara in/verso cerâmica profunda caça traça neste plenus caso de amor o que de sangue expsto tem em veia corre deposto em mar e mangue exposto onde tudo rasa sem expressão do que fica matas que nos cortaram foice espingarda e medo a sol do céu incomum meu boi de olhos tão tristes meu boi de carnes tão rastas meu boi de patas tão gastas o ciúme é uma espinha na garganta mar em chamas terremoto que desconhece outros estados mais fáceis de compreender que não se deve ser tomado de um desejo lícito como um processo mental organizado este prumo vara que me besta besta este prumo que me vara in/verso que me réstia máscara não delírio de canção passageira Drummond imerso em pedra cal e cuspe itas ocas Cabral em pleno vôo sem risco morte vida Severino sem nos ocultar ossário do seu rito o vento em silêncio gargalha numa fonte sobrepasso no éter da memória evidente que tudo não foi dito grita no banquete a fala que não soube engolir silêncios e vomita monologas análogas ausências do mais perfeito que pretérito assassinato às portas das humanas não futuras radiografias de nossas vidas cidadãos sensatos assassinos vadios cúmplices do desterro comendo no teu corpo tua alma como forma de jejum na penitência da natureza inter/semiótica não por simples atração do exotismo no limiar mais radical da invenção entre o carnal e não matéria ou como facas em fogo nas vestes que correm por teu corpo acima que o mantêm estreitamente ligado no
centro da cena onde nenhuma militância a ele se compara estados de ficção ou de distúrbios começamos a compreender o interG no direito dos instintos ou estados de espelhos nos códigos dos fenômenos simbolistas onde o boi signo da morte auto se condena ao exílio sem soletrar ruídos e decifrar o homem posto sem alarde naquela questão semiótica do método grâmico de não compor

http://braziliricas.blogspot.com/

Um comentário:

  1. Caro Artur,
    Recentemente enviei um email para o blog do herval junior colocando a necessidade dos blogs defenderem questões concretas.
    já mostramos a força para levantar questões e debater sobre elas. Nossa força já está comprovada, vide a merenda escolar que todos os blogs encaparam o tema e daí saiu um ação.
    O que me parece agora é que devemos encampar uma ação concreta, seja ela política ou social.
    Então sugiro que comecemos pela inércia do governo municipal, pois é ele o grande empregador(infelizmente, é a realidade local)
    Não seria os blogs a terceira via, tão buscada e propagada, tal como os cara-pintadas, guardada as proporções.
    Não gostaria e não quero me sentir tão impotente diante do que vejo acontecer em nossa cidade.
    Por isso, minha sugestão é que façamos algo concreto,sério e que possa traduzir nossa força e conhecimento.
    Também quero deixar claro que não sou política ou algo parecido, mas uma cidadã que percebe o que acontece aqui e que sonha com os pés no chão.
    Espero seu contato pelo email:candocagoytaca@gmail.com
    Um abraço
    Candoca

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