sábado, 18 de julho de 2009

Gomes & Gumes

todo poema tem dois gomes
toda faca tem dois gumes
de um eu não digo os nomes
da outra não mostro os lumes
se um corta com palavras
a outra com corte mesmo
se um é produto da fala
a outra do ódio a esmo

todo poema tem dois gomes
toda faca tem dois gumes
e um amor cego nas asas
brilhante de vagalumes
se em um a linguagem é sacana
na outra o corte é estrume
todo poema tem dois gomes
toda faca tem dois gumes

se em um peixe é palavra
na outra o brilho é cardume
é fio estrela na lavra
mal cheiro vício costume
de um eu não digo os nomes
da outra não mostro os lumes

se em um a coisa é sagrada
ofício provindo das vísceras
na outra a fé é lacrada
hóstia servida nas missas
se em um é cebola cortada
aroma palavra carniça
na outra o ferro é tempero
fé cega – fome amolada
poema é só desespero


posto que o ciúme
pasta e verga vesgo visgo
onde os curvellos sobressaem
Tiradentes e na solidão
desse refúgio
o verbo gasto casta e custo
também conforme o cristo
dito foi que se ocultou
entre juazeiro e Petrolina
por denúncia do sempre
estando a pé ia dançando
ao som de cada rima
e cada cama copiava
ao som de sua clava
assim tranfez-se em sino
e viu que o menino
após o livro de estréia se cala
quando pedra
e inicia o seu destino
de incendiário e dançarino

http://braziliricas.blogspot.com/

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