quarta-feira, 1 de julho de 2009



Travessia

de almada
vou atravessar o tejo
barco a vela
portugal afora
em lisboa
vou compor
um fado
e cantar no porto
feito
um blues rasgado
de amor
pela senhora

que me espera
em paz
e todo vinho
que eu beber
agora
será como beijo
que eu guardei
inteiro
como um marinheiro
que retorna ao cais

Alice In Chamas

alice não mora mais
no país das maravilhas
agora conhece a trilha
que vai dar no cosme velho
no alto de santa teresa
tua língua é portuguesa
mas teus olhos são de gato
felino sobre os telhados
no funk das laranjeiras
contando os mortos – parentes
olhando o cristo de frente
no morro do pão de açúcar
onde doce não tem mais nada

lua cheia

tenho traficado como um bardo
farejado como um cão
coyote vira lata
por estas ruas de março
nesta cidade vadia
namorando a lua cheia
quando baixa no leblon
na sola do meu sapato
eu ali naquela praia
devorando a claudia raia
e mastigando este barato

Meta Linguagem

minha língua é minha arma
com ela roço no vento
e invento a palavra fala
falo pira pirão piracicaba
viajo a estrada das letras
falo pindamonhangaba
fulinaíma é bala que você não chupa
fala que você não fala
nos seios minha língua mátria
sem pai nem mãe nem pátria
quando roço a língua na boca
a fala é minha armadilha
clarice não viu joão pessoa
pernambuco paraíba santarém
se a fala é minha armadilha
a armadilha é minha fala também

entre a lâmina e o perfume
as garras do tigre nos teus dentes

entre a língua do lagarto
e o olho das serpentes
entre o amor e o ciúme
à flor da pele
no tecido que seduz
ou na foto que revele.


atiro contra o tédio infame
pedaços do meu corpo em prumo
poemas refazendo em transe
retalhos de um tecido em partes
seguindo por segundo a trilha
na etérea construção da arte

quem é esta mulher
que brinca de bem-me-quer
esfinge medéia medusa
quando vem e me lambusa
quando finge que é mulher?

tropicalirismo

girassóis pousando
nu teu corpo: festa
beija-flor
seresta
poesia fosse
esse sol que emana
do teu fogo
farto
lambuzando a uva
de saliva doce

poundiana

torquato era um poeta que amou a ana
leminski profeta que amou alice
um dia pós veio uilcon torto
pegou a jóia de ana
e juntou na pereirAlice
com o corpo e alma das duas
foi bovoar assombradado
pra lá de frança bahia
roendo o osso do mito
pois tudo que sartre dizia
o anjo jurou já ter dito
nonada: biúte – ria

corpo em transe

paixão por você concreta
com tijolo telha cal cimento
vou construir poema/monumento
um monumento/poema
no grande sertão da bahia
ou então fazer cinema
como glauber rocha fazia

a menina dos meus olhos
com os nervos à flor da pele
brinca de bem me quer

ela inda pensa que é menina
mas já é quase uma mulher

sem greve de fome


persigo a caça como quem brinca com a palavra perigo sem temer o risco de expor a alma a venda pro diabo ou pro bandido no roll dos mocinhos de cinema meu nome a muito tempo foi banido sem greve de fome farejo a caça como o sumo sacerdote com a hóstia pronta para a boca e os dentes prestes para o bote

arturgomes

http://goytacity.blogspot.com/





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