segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Carolina Agrela Teles Veras

Texto enviado a este blogueiro por minha grande amiga a poeta Dalila Teles Veras, mãe da Carolina, em resposta ao nosso manifesto http://dilma13brasil.blogspot.com
encabeçado por Claudio Daniel

Olá, Artur
Eu já havia subscrito o manifesto. É isso aí, lutemos conta esse bando de hipócritas em "defesa da vida". Abaixo envio a você um belo texto de minha filha, Carolina.

Outra coisa: vi o vídeo (e gostei) com seu texto e a música do Naiman, que eu tão bem conheço (saudade dos bons tempos do Alpha).
abraço
dalila

"É muito triste que um assunto tão sério como o aborto tenha sido levado a discussões tão rasas unicamente para retirar votos de uma candidata e mais triste ainda que as pessoas tenham caído nessa. A discussão sobre o aborto é muito mais profunda do que as falsas afirmações de que “Vão liberar a matança!” ou “Vão matar criancinhas inocentes!”.

O fato é que milhares de mulheres desesperadas se submetem a abortos em clínicas clandestinas todos os anos, ficando na mão de carniceiros, esses sim verdadeiros assassinos interessados somente em arrancar dinheiro de pessoas que estão em situação de desespero. Eu digo em situação de desespero porque somente o desespero pode levar uma mulher a abortar. Nenhuma mulher, em sã consciência, é favorável ao aborto ou pensa que é legal fazer aborto. As razões que levam ao aborto são inúmeras, como depressão profunda que atinge um certo número de mulheres durante a gravidez e leva a atitudes desesperadas ou a situação social desesperadora, que somada ao momento sensível pode levar a mulher a pensar que a melhor solução é evitar que alguém venha ao mundo para sofrer.

Concluindo, as mulheres que chegam à situação limite de tentar um aborto são pessoas que precisam de ajuda e como o aborto é crime, elas não procuram essa ajuda, porque ninguém teria coragem de chegar num hospital para dizer que vai cometer um crime.

O Estado hoje gasta milhões corrigindo as barbeiragens dos carniceiros de plantão que matam. Além disso, tentativas frustradas de aborto, como tomar remédios abortivos, por exemplo, podem gerar crianças com deficiência. O problema é de saúde pública!!! Os abortos ocorrem e vão ocorrer independentemente da descriminalização. Mas com a descriminalização o Estado pode ter um controle maior e diminuir os números de casos de aborto, por exemplo dando assistência psicológica às mulheres que pretendem fazer um aborto, o que pode evitar que elas cometam tal ato desesperado.

É oportuno deixar bem claro que jamais existiu qualquer projeto tentando liberar o aborto até o 9º mês. É claro que a descriminalização deverá ser feita com um projeto de políticas de prevenção e no máximo somente até o 3º mês, como hoje é permitido para os casos de estupro e de risco à saúde da mulher. E com certeza ocorrerá a diminuição do número de abortos, como ocorreu em todos os países em que o mesmo foi descriminalizado. Descriminalizado, não liberado. É diferente. Somente não será considerado crime e só será realizado em certas situações, após análise psicológica.

Outra coisa que se deve deixar clara é a de que não é o presidente que decide estas questões, ele pode unicamente apresentar projetos, mas é o Poder Legislativo (deputados e senadores) que, após ampla discussão, decide e vota o projeto, como representante da população.

Não sou favorável ao aborto. Ou seja, não faria e não aconselharia ninguém a fazer, mas não se pode fechar os olhos para um problema que realmente existe, que faz parte da realidade.

A Igreja condena o aborto e deve continuar orientando seus fiéis a não fazê-lo, como sempre fez.

O Estado é laico, ou seja, não pode ter religião, e deve agir da melhor forma possível a minimizar os problemas causados à saúde e que geram milhões em gastos públicos. Que esse dinheiro seja usado em políticas de prevenção e, nos casos inevitáveis, que seja feito tudo da melhor maneira possível, sem conseqüências para a saúde da mulher.

A descriminalização não é estímulo ao aborto, é política de prevenção na área da saúde pública. É óbvio que nenhum governo vai fazer propaganda na televisão dizendo “Façam aborto!!!!”. É ridículo pensar assim. Vamos refletir!!!

Se o aborto é pecado, as mulheres que, mesmo após receberem todas as orientações, decidirem por fazê-lo é que vão pagar pelo seu pecado. Nós, como cristãos, não devemos julgar ninguém. O que faz de nós, pecadores que somos, melhores do que outros pecadores?? Ou será que as pessoas que freqüentam a Igreja jamais usaram qualquer método anticoncepcional (o que também não é autorizado pela Igreja), não ligaram as trompas, fizeram sexo somente quando tinham a intenção de ter filhos etc...?

Quem não tem pecados que atire a primeira pedra!!!"

Carolina Agrela Teles Veras

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