segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Presidente da Petrobras acusa tucanos de quererem vender estatal

“Para o governo FHC, a Petrobras morreria por inanição. Os planos do governo do>então presidente Fernando Henrique Cardoso eram para desmontar a Petrobras e>vendê-la”, diz o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo.

As afirmações do presidente da Petrobras responde às declarações de David Zylbersztajn, presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP) no governo de>Fernando Henrique Cardoso. Gabrielli conta que “em 2003, quando a atual diretoria assumiu a gestão da Petrobras, havia em curso um plano claro de desmonte e esvaziamento de setores estratégicos da Companhia. Se essa tendência não fosse interrompida e revertida, a Petrobras praticamente extinguiria sua atividade de exploração, porque suas áreas exploratórias para buscar novas reservas de petróleo estavam se reduzindo, suas refinarias seriam desmembradas e as plantas de energia elétrica dariam prejuízos, sem perspectivas de recuperação do capital investido. A engenharia e a pesquisa e desenvolvimento da Petrobras seriam extintos”.

Para o presidente da Petrobras, não restam dúvidas quanto aos objetivos do governo anterior de “preparar” a Petrobras para ser privatizada. “Gradativamente, todas as atividades da Petrobras estavam sendo preparadas para serem passadas para a iniciativa privada, com a exacerbação do conceito de unidades de negócio, praticamente autônomas”, completou. Em sua análise do quadro que a atual gestão encontrou na Petrobras em 2003 e das conseqüências maléficas que a privatização da maior empresa da América Latina traria para a economia brasileira, Gabrielli diz ainda que a Petrobras teve sua participação nos leilões de novas áreas exploratórias limitada pelo Governo, para atrair outras empresas privadas na aquisição dessas novas áreas, ficando, portanto, fora da disputa por novos campos.

Sem novas áreas, explica ele, a sustentabilidade da Petrobras estaria completamente comprometida, contando com mais 4 ou 5 anos de atividade exploratória e deixando toda a riqueza do subsolo brasileiro para empresas estrangeiras.

Processo revertido

Já no início de 2003, no primeiro Plano Estratégico da Companhia da atual gestão, esse processo foi totalmente revertido: a Petrobras voltou a disputar áreas novas, dobrou suas reservas, e ampliou significativamente o portfólio exploratório, hoje com investimentos em exploração de mais de US$ 4 bilhões, enquanto em 2002 esses investimentos foram de menos de US$ 500 milhões. A Petrobras, frisa o presidente da empresa, perdia substantivamente em competência, economia, valor, inteligência.

“Além dos aspectos econômicos, o desmonte da Companhia transformada em um conjunto de unidades de negócios trazia>perdas em tecnologia, engenharia, pessoal”. E acrescenta que “limitava-se o crescimento do Cenpes, o maior centro de>pesquisas aplicadas da América Latina e um dos maiores do mundo, e da engenharia básica da Companhia, na "ilusão" de que toda a ciência, tecnologia e engenharia>poderiam ser "adquiridas no mercado".

A gestão posterior a 2003, a partir da eleição do Presidiente Lula, modificou essa tendência, fortalecendo a engenharia da empresa e seu sistema de pesquisa e desenvolvimento, além de estimular a criação de redes temáticas, que articulam centenas de pesquisadores de dezenas de universidades e instituições de pesquisa>no país.

Lucros para empresários

“Na área de geração de energia elétrica, com as termoelétricas a gás natural, não foi diferente. Os contratos, no governo Fernando Henrique Cardoso, garantiam lucros aos empresários donos das térmicas, ficando todo suprimento, pendências, problemas e financiamento do prejuízo para a Petrobras. Os investimentos em refino, mesmo para melhoria da qualidade dos nossos produtos e para aumentar a capacidade de processamento do petróleo brasileiro nas refinarias estava limitado”, conta Gabrielli.

“Nos últimos oito anos esse panorama se transformou e os investimentos no setor de refino cresceram. Hoje estão programadas cinco novas refinarias a serem>construídas. Em 2002 não havia investimentos em biocombustíveis e hoje a Petrobras é uma das maiores produtoras de biodiesel e etanol”, compara o presidente.

Melhor divisão

Em relação ao novo marco regulatório para o pré-sal, Gabrielli também contestou as palavras de Zylbersztajn. Ele diz que o regime de concessões atrai empresas privadas que aceitam o risco de encontrar petróleo em áreas de alto risco exploratório em troca de altos retornos futuros no caso de descobertas. “Para o pré-sal, o risco exploratório é mínimo e o sistema de partilha de produção, em discussão no Congresso, permite, como o próprio nome indica, uma melhor divisão (partilha) entre as empresas e o Governo dos ganhos futuros das potenciais descobertas. Defender o regime de concessões para o pré-sal é defender que a maior parte dos ganhos da atividade sejam apropriados pelo setor privado e nesse sentido é defender, sim, a privatização do pré-sal”, conclui Gabrielli.

De Brasília
Com informações da Petrobras

Um comentário:

  1. Prezado Artur Gomes
    Conheço alguns de seus poemas e gosto, mas esse negócio de escrever sobre política, ai são outros quinhentos. E preciso avaliar melhor, e não ser enganado sobre as mentiras oficiais que o governo federal costuma divulgar. Leia o texto abaixo do Reinaldo Azevedo e se voce discordar tem todo o direito de contra-argumentar.
    Abraços
    Reinaldo Cozer
    18/10/2010
    às 17:47


    Gabrielli, o terrorista, e considerações “esdrúxulas” de entrevistadores
    José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, dá prosseguimento, em entrevista publicada hoje pela Folha, concedida a Fabia Prates e Plínio Fraga, a seu trabalho de terrorismo eleitoral, insistindo na mentira descarada de que o governo FHC preparava a privatização da Petrobras.

    Ele não acrescenta uma miserável informação ou acusação novas à nota vigarista que já havia divulgado, e lhe conceder o espaço de uma entrevista corresponde a dar alcance a sua ação eleitoreira. O título da entrevista, diga-se, sem nem mesmo as aspas, confunde-se com uma informação objetiva, meramente referencial: “Governo FHC preparou privatização da Petrobras” (as aspas são minhas). O subtítulo (linha fina, no jargão) é usado para veicular mais terrorismo.

    Num dado momento, os entrevistadores perguntam a Gabrielli se ele é favorável ao aborto. A pergunta, absurda em si, teria um propósito, revelado na questão seguinte. Explicam-se os entrevistadores da Folha a Gabrielli:
    “O governo parece usar a questão da privatização do mesmo modo que setores conservadores colocaram o tema do aborto no debate eleitoral.“

    Errado! À pergunta, classificada de “esdrúxula” pelos próprios jornalistas, juntou-se, então, uma consideração não menos esdrúxula. Não há um só indício de que o governo FHC tenha tentado privatizar a Petrobras (a menos que a Folha prove o contrário). O jornal, diga-se, dá a Gabrielli a chance de demonstrar onde estão esses sinais, e ele não consegue. A razão é simples: não existem. Já as evidências de que Dilma defendia a descriminação do aborto são muitas — a mais eloqüente delas apareceu numa entrevista à … Folha!!! Os blogs encarregaram-se de tirar aquela sabatina das catacumbas. A coisa estava mais escondida nos arquivos da Folha do que a ficha de Dilma nos arquivos do Superior Tribunal Militar, que o jornal tenta obter. Quase recorri à Justiça para a Folha divulgar o vídeo daquela sabatina (risos)… Além de defender a descriminação do aborto, Dilma também se diz socialista e se revela, assim, uma cristã politeísta…


    Não, não são coisas opostas, porém combinadas, “terrorismos” equivalentes porque fundados em falsidades. Uma informação — a tentativa de privatizar a Petrobras — é falsa; a outra — Dilma defende a descriminação do aborto — é verdadeira. Por que mentira e verdade são juntadas numa mesma categoria?

    A resposta está na questão proposta pelos entrevistadores: o aborto seria uma questão usada pelos “setores conservadores”. Logo, “setores conservadores” seriam aqueles aptos, desde a origem — e porque conservadores — a lidar com a mentira como se verdade fosse. Ocorre que o dado insofismável da realidade, seja você um “conservador” ou “um progressista”, é que FHC NÃO tentou privatizar a Petrobras e que Dilma É favorável à descriminação do aborto.

    Para encerrar: do modo as coisas são apresentadas, parece que o “terrorismo com a Petrobras” é mera reação ao “terrorismo religioso” (se terrorismo fosse, claro!). Também isso é uma farsa: a tática petista é mais antiga; remonta a 2006.

    Havendo falhas lógicas ou inverdades no meu texto, cartas para o blog.

    Por Reinaldo Azevedo

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