quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Segue mais uma vez a convocação do evento:

Um grupo de artistas e intelectuais liderados por Chico Buarque, Leonardo Boff, Fernando Morais, Emir Sader, Eric Nepumuceno está articulando adesões ao manifesto abaixo de apoio político a eleição de Dilma Roussef.
Se você puder aderir agradeceríamos muito: mande sua adesão para emirsader@uol.com.br; ericnepomuceno@uol.com.br.

E, se você puder, divulgue aos seus amigos do Rio para participarem do ATO POLÍTICO de entrega do manifesto à candidata, no Teatro Oi Casa Grande, dia 18 de outubro, segunda-feira, às 20h. (Rua Afrânio de Mello Franco, 290 – Leblon – Rio de Janeiro).

Manifesto de artistas e intelectuais pró Dilma:

Nós, que no primeiro turno votamos em distintos candidatos e em diferentes partidos, nos unimos para apoiar Dilma Rousseff.



Fazemos isso por sentir que é nosso dever somar forças para garantir os avanços alcançados. Para prosseguirmos juntos na construção de um país capaz de um crescimento econômico que signifique desenvolvimento para todos, que preserve os bens e serviços da natureza, um país socialmente justo, que continue acelerando a inclusão social, que consolide, soberano, sua nova posição no cenário internacional.

Um país que priorize a educação, a cultura, a sustentabilidade, a erradicação da miséria e da desigualdade social. Um país que preserve sua dignidade reconquistada.

Entendemos que essas são condições essenciais para que seja possível atender às necessidades básicas do povo, fortalecer a cidadania, assegurar a cada brasileiro seus direitos fundamentais.

Entendemos que é essencial seguir reconstruindo o Estado, para garantir o desenvolvimento sustentável, com justiça social e projeção de uma política externa soberana e solidária.

Entendemos que, muito mais que uma candidatura, o que está em jogo é o que foi conquistado.

Por tudo isso, declaramos, em conjunto, o apoio a Dilma Rousseff. É hora de unir nossas forças no segundo turno para garantir as conquistas e continuarmos na direção de uma sociedade justa, solidária e soberana.

Leonardo Boff,
Chico Buarque,
Fernando Morais,
Emir Sader,
Eric Nepumuceno

Retirado do blog de Luiz Carlos Azenha (pela leitora Dulce Maia): http://www.viomundo.com.br/politica/dulce-maia-o-apoio-de-chico-buarque-a-dilma.html



Manifesto em Defesa da Educação Pública

Nós, professores universitários, consideramos um retrocesso as
propostas e os métodos políticos da candidatura Serra. Seu histórico
como governante preocupa todos que acreditam que os rumos do sistema
educacional e a defesa de princípios democráticos são vitais ao futuro do país.

Sob seu governo, a Universidade de São Paulo foi invadida por
policiais armados com metralhadoras, atirando bombas de gás
lacrimogêneo. Em seu primeiro ato como governador, assinou decretos
que revogavam a relativa autonomia financeira e administrativa das
Universidades estaduais paulistas.

Os salários dos professores da USP,Unicamp e Unesp vêm sendo sistematicamente achatados, mesmo com os
recordes na arrecadação de impostos. Numa inversão da situação vigente nas últimas décadas, eles se encontram hoje em patamares menores que a remuneração dos docentes das Universidades federais.

Esse choque de gestão? é ainda mais drástico no âmbito do ensino
fundamental e médio, convergindo para uma política sistemática de
sucateamento da rede pública. São Paulo foi o único Estado que não
apresentou, desde 2007, crescimento no exame do Ideb, índice que
avalia o aprendizado desses dois níveis educacionais.

Os salários da rede pública no Estado mais rico da federação são
menores que os de Tocantins, Roraima, Rio de Janeiro, Mato Grosso,
Espírito Santo, Acre, entre outros. Somada aos contratos precários e
às condições aviltantes de trabalho, a baixa remuneração tende a
expelir desse sistema educacional os professores mais qualificados.

Diante das reivindicações por melhores condições de trabalho, Serra
costuma afirmar que não passam de manifestação de interesses
corporativos e sindicais, de ?tró-ló-ló? de grupos políticos que
querem desestabilizá-lo. Assim, além de evitar a discussão acerca do
conteúdo das reivindicações, desqualifica movimentos organizados da
sociedade civil, quando não os recebe com cassetetes.

Serra escolheu como Secretário da Educação Paulo Renato, ministro nos
oito anos do governo FHC. Neste período, nenhuma Escola Técnica
Federal foi construída e as existentes arruinaram-se. As universidades públicas federais foram sucateadas ao ponto em que faltou dinheiro até mesmo para pagar as contas de luz, como foi o caso na UFRJ. A proibição de novas contratações gerou um déficit de 7.000 professores.

Em contrapartida, sua gestão incentivou a proliferação sem critérios de universidades privadas. Já na Secretaria da Educação de São Paulo, Paulo Renato transferiu, via terceirização, para grandes empresas educacionais privadas a organização dos currículos escolares, o fornecimento de material didático e a formação continuada de professores.

O Brasil não pode correr o risco de ter seu sistema educacional dirigido por interesses econômicos privados.

No comando do governo federal, o PSDB inaugurou o cargo de
engavetador geral da república?. Em São Paulo, nos últimos anos,
barrou mais de setenta pedidos de CPIs, abafando casos notórios de
corrupção que estão sendo julgados em tribunais internacionais. Sua
campanha promove uma deseducação política ao imitar práticas da
extrema direita norte-americana em que uma orquestração de boatos
dissemina dogmas religiosos.

A celebração bonapartista de sua pessoa, em detrimento das forças políticas, só encontra paralelo na campanha de 1989, de Fernando Collor.


Ricardo Musse




Dilma no ataque, Serra na defesa


Alguma coisa estava fora de ordem e de lugar no debate de domingo à
noite na TV Bandeirantes. Pela lógica destes confrontos decisivos,
quando sobram apenas dois candidatos no segundo turno, quem está na
frente fica na retranca e joga pelo empate, de preferência sem gols;
quem está atrás, vai para o ataque, na base do perdido por um, perdido
por mil, pois tem que arriscar tudo para virar o resultado.

Pois Dilma e Serra fizeram exatamente o contrário, inverteram os
papéis. Desde a primeira pergunta que lhe cabia fazer, a candidata
petista, que ganhou o primeiro turno e lidera o segundo, foi para a
ofensiva, acusando diretamente o opositor pelas calúnias que vem
sofrendo na campanha. A partir daí, Serra colocou-se na defensiva,
apenas reagindo em rápidos contra-ataques, sempre com muito cuidado.

Foi como se Dilma, a caminho do debate, tivesse comunicado aos seus
marqueteiros, conselheiros e protetores: “Sai da frente! Pode deixar,
que eu resolvo, agora é comigo!” E foi para cima de Serra, sem largar
o osso em nenhum momento do debate.

Preparado para mais um encontro na base do “paz e amor”, sem ataques
nem confrontos como os anteriores, e confiando no clima ameno
anunciado fartamente pelos jornais, a principio Serra parecia não
acreditar no que estava vendo e ouvindo de Dilma, mas procurou não
fugir do seu script de se apresentar como um tranquilo estadista com
muitos feitos a apresentar em sua longa carreira.

Para quem a acusava de estar se escondendo atrás de Lula, sem mostrar
quem é e o que pensa, engessada por uma campanha baseada em “cálculos
científicos” e pesquisas qualitativas, Dilma até que se saiu muito bem
no novo papel de candidata ousada, independente e afirmativa, sem medo
de correr riscos. Se isto vai lhe acrescentar ou tirar votos, é outra
história, que só as próximas pesquisas poderão esclarecer _ ou não,
sabe-se lá …

De seu lado, José Serra viu-se obrigado a defender o governo Fernando
Henrique Cardoso e a discutir uma pauta levantada pela adversária
sobre a questão das privatizações, a defesa da Petrobrás e as ameaças
dos tucanos ao pré-sal.

Baseado em pesquisas que mostraram o desgaste da adversária diante da
enxurrada de denúncias publicadas pela imprensa nas últimas semanas do
primeiro turno, sempre que podia Serra colocava de novo na roda as
lambanças da Casa Civil de Erenice e e o caso da quebra de sigilos
fiscais.

Claro que a guerra religiosa sobre o aborto não poderia ficar de fora
do debate, mas é difícil saber quem ganhou ou perdeu domingo com esta
extemporânea e exdrúxula discussão que polarizou a campanha.

Com certeza, os únicos grandes vencedores desta viagem de volta ao
passado são estes aiatolás fundamentalistas que juntam o que há de
pior nas igrejas evangélicas e na católica. Eles devem estar se
achando, mais do que Marina Silva, os fiéis da balança que vão decidir
a eleição no Brasil do século 21.

O primeiro debate do segundo turno foi o melhor e mais animado na
atual campanha, mas a meu ver não vai alterar muita coisa no cenário.
Agora, com apenas oito pontos separando Dilma de Serra no segundo
turno, segundo o Datafolha, o jogo continua aberto. O que será que
esta semana nos reserva de fato novo? De onde partirá a próxima bala
de prata? Cuidado, nunca se sabe…

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho

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