terça-feira, 23 de novembro de 2010

Iº ENCONTRO REGIONAL DE BLOGUEIROS PROGRESSISTAS

BLOGS – A REVOLUÇÃO DA INFORMAÇÃO

O Iº Encontro Regional de Blogueiros Progressistas, desdobramento do Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, realizado em setembro, em São Paulo, acontece nos próximos dias 25, 26 e 27 de novembro, em Juiz de Fora com eventos que vão desde a exibição do filme UTOPIA E BARBÁRIE do cineasta Sílvio Tendler a palestras e debates, além de do show SERTÃO NA PALAVRA,.

O Iº Encontro Regional de Blogueiros Progressistas deve reunir blogueiros de várias cidades da região e servirá e acontece num momento em que a Internet vê confirmada sua importância no processo de comunicação. Pesquisa realizada logo após as eleições presidenciais de outubro mostraram que a rede mundial de computadores foi o segundo veículo de comunicação mais usado entre partidos, candidatos e eleitores.

Um dos pontos mais importantes do Encontro será a exemplo que vem acontecendo em todo o País, manifestar repúdio ao projeto de lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB/MG) que tenta criar mecanismos de censura na rede. O encontro está sendo organizado pela CASA DA AMÉRICA LATINA.

UTOPIA E BARBÁRIE

Um dos mais renomados cineastas brasileiros, com vários prêmios no País e no exterior, o cineasta Sílvio Tendler estará em Juiz de Fora no dia 25 para a um debate com os participantes do Iº Encontro Regional de Blogueiros Progressistas, logo após a exibição de seu filme UTOPIA E BARBÁRIE.

O evento acontecerá no anfiteatro João Carriço (FUNALFA), na sede da antiga Prefeitura (Parque Halfeld), a partir das 19 horas. Tendler entre outros filmes dirigiu OS ANOS JK o GOVERNO JOÃO GOULART, MARIGHELLA e é considerado um humanista dentre os cineastas brasileiros. Já produziu mais de 40 filmes entre curtas, médias e longas metragens.

Seus filmes são um resgate da memória brasileira e buscam levar o espectador a refletir sobre a realidade do País e da América Latina, essencialmente. É detentor da maior bilheteria de documentários do cinema nacional. Um milhão e oitocentos mil espectadores em O MUNDO MÁGICO DOS TRAPALHÕES.

Entre os prêmios recebidos está o PRÊMIO SALVADOR ALLENDE do Festival de Trieste, Itália, em 2005, pelo documentário ENCONTRO COM MÍLTON SANTOS, o célebre geógrafo brasileiro, eleito também melhor filme do Júri Popular na última edição do Festival de Brasília.

O SERTÃO DA PALAVRA

Na sexta-feira, dia 26, a partir das 21 horas, no MESCLA, acontece o show o SERTÃO DA PALAVRA, com Aliciane Rodrigues, Marcos Marinho e banda. Música popular brasileira, latino-americana, onde a palavra e a poesia têm grande destaque. Os ingressos poderão comprados antecipadamente no próprio MESCLA. Um dos objetivos do espetáculo é demonstrar a importância da integração latino-americana, a riqueza cultural dessa parte do mundo e o papel da comunicação, sobretudo a internet aliando teatro, música, poesia e literatura e buscar a confraternização solidária entre os participantes e presentes.

PALESTRAS E DEBATES

No sábado, último dia do encontro, acontecerão as palestras e debates na UNIVERSIDADE UNIVERSO, a partir das oito horas da manhã. O primeiro tema será AS NOVAS FORMAS DE COMUNICAÇÃO – SEUS IMPACTOS NA ALDEIA GLOBAL e AS TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS E A INTEGRAÇÃO LATINO AMERICANA. Os temas serão expostos pelo historiador Alex Lombelo, o professor de filosofia Tiago Adão Lara e o jornalista Laerte Braga.

Às 12 horas, após um breve intervalo para o almoço, o tema será INTERNET, O FUTURO DA COMUNICAÇÃO, RELAÇÕES HUMANAS E DIREITOS e os expositores serão Edmilson Costa, pós doutor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UNICAMP, o ex-prefeito e ex-deputado Tarcísio Delgado e a professora Maria Helena Falcão.

Todas as palestras serão seguidas de debates entre os participantes e ás 15 horas serão formados os grupos de trabalho para a elaboração da CARTA DE PRINCÍPIOS do Iº ENCONTRO REGIONAL DE BLOGUEIROS PROGRESSISTAS.

O término do encontro está previsto para as 18 horas e será conferido certificado de participação aos presentes. Não há taxa de inscrição.

O I ENCONTRO REGIONAL DE BLOGUEIROS PROGRESSISTAS está sendo organizado pela CASA DA AMÉRICA DA LATINA e seu principal objetivo, além dos debates e da confraternização entre blogueiros é integrar o movimento nacional que dá novas formas ao jornalismo e já desponta como o principal veículo de comunicação do futuro. Neste momento a rede mundial de computadores só é superada, no Brasil, pela televisão.

Mesmo em regiões mais afastadas e longínquas do País a internet já consegue espaço semelhante ao do rádio. As conclusões serão incorporadas aos documentos do I ENCONTRO NACIONAL DE BLOGUEIROS PROGRESSISTAS, através do blog BARÃO DE ITARARÉ – São Paulo e servirão de temas preparatórios para o IV FÓRUM SOCIAL MINEIRO a realizar-se no próximo ano em Belo Horizonte.



VACCAREZZA: CÂMARA E MOMENTO POLÍTICO


O episódio envolvendo o superbloco na Câmara é uma amostra de como será a relação entre o PT de Dilma e o PMDB de Temer

Por Marina Dias – Veja.com

Não chegou a uma semana o intervalo entre o anúncio da coalizão entre PMDB, PP, PR, PTB e PSC e o sepultamento do chamado superbloco, com a mão do presidente Lula. O episódio dá a dimensão do quão conturbada promete ser a relação entre o PT da presidente eleita, Dilma Rousseff, e o PMDB do vice, Michel Temer. E das arestas que será preciso aparar nos próximos quatro anos.

O próprio líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), reconhece que foi surpreendido com a história. Mas não recua: “Nós mostramos os dentes”. Em entrevista exclusiva ao site de VEJA, o deputado afirma que as relações entre as duas legendas “precisam ser muito mais de afinidades do que de articulações de última hora”.

Na sexta-feira, durante reunião do Diretório Nacional do PT, uma ala do partido chegou a defender uma estratégia para “neutralizar” o PMDB. Dilma chorou e pediu “clima político de união”.

Cotado para a Presidência da Câmara, Vaccarezza dá seu recado: a bancada petista entende que um rodízio no comando das duas Casas do Congresso é a melhor forma de resolver impasses entre os aliados. Caso seja acordado o sistema de biênio, em que o PT presidirá a Câmara por dois anos e o PMDB pelos outros dois, o partido de Dilma brigará para assumir o posto primeiro. “Mesmo que eles não digam, todo mundo sabe que quem vai começar é o PT, porque o PT tem a maior bancada”.

VEJA – Durante a semana, o PMDB anunciou a formação de um superbloco na Câmara. Como o senhor e o PT receberam essa notícia?

Deputado Cândido Vaccarezza - Nós fomos surpreendidos. Mas o PMDB não formou o bloco. Para isso, o bloco precisa ser formalizado com a assinatura dos deputados ou dos líderes dos partidos, o que não aconteceu. Na realidade, eles manifestaram uma intenção sem consultar as bancadas dos próprios partidos. É muito mais um sentimento, assim como a explicação que eles deram para nós, de proporcionar um entendimento entre eles do que um bloco para agir na Câmara ou no governo. Para você fazer esse tipo de coisa precisa ter, além da intenção, condições para fazer e eles não tiveram.

Como o senhor interveio nessa questão?

Eu me manifestei, não sobre o bloco, mas sobre toda essa discussão (por cargos e ministérios dos partidos aliados). A primeira vez foi quando os partidos começaram a dizer que queriam manter todos os cargos e eu disse que nós íamos ter o primeiro ano de mandato da Dilma e não o nono ano de mandato do Lula. Mesmo que seja um governo de continuidade, é outro governo. Não seria elegante com a presidente Dilma os partidos da base falarem que querem manter tudo como está.

Quem vai montar o governo é a Dilma. A segunda é quando digo que a base não deve se dividir. Precisa ter critério para montar a mesa da Câmara, que deve ser o da proporcionalidade. Como o PT foi o partido que fez mais deputados, o PT deveria ter a presidência da Casa. Da minha parte, eu quero construir um nome de consenso. Não deve haver, nesse processo, choques bruscos entre PT e PMDB.

Mas a tentativa de formação do superbloco não foi uma canelada no PT?

As disputas e caneladas vão existir, mas vamos trabalhar para não fazer disso um racha na base aliada. Não podemos admitir que o governo Dilma seja tutelado por blocos ou por grupos. A Dilma é a presidente, vai ter apoio do PT e deve ter também o apoio da base para formar o seu governo. Nossa relação (PT e PMDB) precisa ser mais de afinidade do que de articulações de última hora.

O senhor se decepcionou com o Michel Temer com essa atitude?

O Temer falou para mim que não tinha conhecimento desse bloco e que foi uma decisão parlamentar. Ele não pode ser responsabilizado pela movimentação aqui na Câmara. Não houve decepção.

O PT sabe mostrar os dentes se precisar?

Nós mostramos (os dentes). Mas eu acho que até um mau acordo é melhor do que uma boa briga. E é por isso que prefiro sempre fazer acordo.

O senhor é um dos principais nomes para concorrer à presidência da Câmara, mas também há outros no PT. Vai haver disputa interna?

Eu te garanto que não vai ter disputa dentro do PT. Nós vamos chegar a um acordo e só serei o candidato se for um candidato de acordo. Estou me esforçando para construir um acordo interno no PT. E o terreno que eu trabalho melhor é o terreno da articulação política, mas não necessariamente precisa ser meu nome.

Sem o superbloco, voltamos para o projeto do biênio, em que o PT ficaria com dois anos da presidência da Câmara e o PMDB com outros dois?

Pela relação de forças que nós temos hoje na Casa, eu acho que não comportaria o PT ficar os quatro anos seguidos na presidência da Câmara. Acho normal haver um rodízio. E o entendimento da bancada do PT é que no Senado também tenha esse rodízio. Seria salutar.

Mas o PMDB não gosta muito dessa ideia se repetir no Senado…

O Senado não tem essa tradição, mas certamente vai fazer um acordo e a Câmara, outro acordo. Mas se você olhar para o Senado, vai ver que houve uma mudança muito grande nos últimos anos: a bancada do PMDB tem 20 senadores, a do PT tem 14 e pode chegar a 16. Desses 20 do PMDB, temos três ou quatro que são da oposição. São duas bancadas governistas mais ou menos do mesmo tamanho, como na Câmara. Por isso que a bancada do PT entendeu que seria salutar fazer o rodízio nas duas Casas.

Se der certo esse acordo de biênio na Câmara, vai haver uma disputa para ver qual partido começa na presidência em 2011?

Acho que isso está mais ou menos equacionado. Mesmo que eles não digam, todo mundo sabe que quem vai começar é o PT, porque o PT tem a maior bancada e quem tem a maior bancada tem a precedência de escolher se vai começar ou não.

Quando isso vai ser definido?

Em dezembro. Se depender de mim, eu não tenho nenhuma pressa para definir candidato do PT ou candidato único da base, porque a pressa é inimiga da perfeição nesse caso. O que seria bom para nós: chegar a um acordo. Nós vamos trabalhar para isso. Não é quem se lança primeiro candidato que será o presidente.

Ainda tem muita gente no PT que reluta em governar em coalizão e deseja que o governo Dilma seja mais um governo do partido, com a cara do PT?

O PT superou esse problema das alianças em 1998, quando vimos que só ganharíamos as eleições se fizéssemos uma ampla aliança de centro-esquerda no país. Em 2010, nós viabilizamos a grande aliança que nós sonhávamos. Esse não será um governo do PT, mas um governo de coalizão. Essa é a marca do que é hegemonia no PT. Mas é claro que existem companheiros, alguns inclusive importantes, que podem dizer que esse é um governo puro, mas não é essa a alma da política do PT nem da política da Dilma.

Dizem que Kassab sairia do DEM para entrar no PMDB. Vocês aprovariam a janela da fidelidade partidária para garantir o primeiro nome importante da oposição no governo?

Você imagina como ficaria absurdo se nós, do PT, que temos a maior bancada e divergências com a oposição, aprovássemos uma janela só para fazer um ‘ajeito’ entre os partidos. Eu não partilho disso. Defendo a reforma política, o voto em lista com financiamento público e acho que devemos colocar o país em uma lei eleitoral estável. Mas temos que ir com calma. Sou contra aprovar só uma janela para a migração de partido para partido.

Fonte: Site do deputado federal Cândido Vacarezza (PT-SP)



CENSURA NA INTERNET - É O PRÓXIMO PASSO

Liberdade na internet corre sério risco
Por: Altamiro Borges

O jornal O Globo noticiou ontem (22) que tramita nos EUA um projeto de lei de censura à internet. Batizado de Combating Online Infringement and Counterfeits Act, ele dá poder ao governo para mandar bloquear sítios e domínios. “E não é só essa a ameaça à privacidade na rede mundial. Segundo o The New York Times, diretores do FBI já se reuniram com executivos da Google e Facebook, entre outras empresas, para discutir uma proposta que torne mais fácil grampear internautas”.

O projeto em tramitação visa reforçar uma lei de 1994, chamada de Communications Assistance for Law Enforcement Act. Ela define que as operadoras de telecomunicações e os provedores de internet e banda larga devem cumprir as ordens judiciais que exijam escutas telefônicas. Agora, o FBI quer estender o controle também às gigantes do setor, como Google e Facebook. A desculpa usada é o da defesa do direito autoral, mas o intento evidente é censurar o conteúdo na internet.

Censura prévia na redeDe autoria do senador democrata Patrick Leahy, o projeto de lei está recebendo duras críticas das entidades defensoras da liberdade de expressão. A Electronic Frontier Foundation (EFF) chegou a compilar uma lista dos sítios e blogs que terão de sair da rede se ele for aprovado. Segundo a EFF, apesar da repressão já existente nos EUA, hoje ainda há um equilíbrio entre “as punições devido ao copyright violado e à liberdade dos sites de inovar”. Com a nova lei, os grupos de defesa da liberdade na internet avaliam que será instaurada de vez a censura prévia na rede.

Brian Contos, diretor de Estratégia de Segurança Global e Gestão de Risco da McAfee, afirmou ao jornal O Globo que o projeto gera fortes temores. “Há sempre uma preocupação com o que é censurado agora e o que será censurado depois”. Já para David Post, professor da Universidade de Temple, “se virar lei, o projeto criará um perigoso precedente com sérias conseqüências em potencial para a liberdade de expressão e a liberdade da internet global”. Isto porque o projeto prevê também o bloqueio unilateral de sítios e domínios produzidos fora dos EUA.

AI-5 digital do senador tucano

O projeto de lei em tramitação nos EUA evidencia que a liberdade na internet corre sérios riscos. As poderosas empresas do setor querem restringir seu uso por motivos econômicos, para coibir a livre circulação de conteúdo na rede; já os governos e legisladores autoritários tentam controlar a internet por motivos políticos, para impedir a pluralidade e diversidade informativas. Não é para menos que também no Brasil tramita, de forma sorrateira, um projeto para censurar a internet.

De autoria do senador Eduardo Azeredo, do PSDB de Minas Gerais, o projeto de lei (PL) 84/99 representa duro golpe na liberdade de expressão. Tanto é que ele já foi batizado de AI-5 digital, numa referência ao ato institucional que os generais baixaram em 1968 endurecendo ainda mais a ditadura. Em outubro, em pleno embate eleitoral, o PL foi aprovado às pressas, numa manobra legislativa na calada da noite, em duas comissões da Câmara Federal.

Como aponta Luiz Carvalho, num artigo ao sítio da CUT, o projeto do senador tucano viola os direitos civis, transfere à sociedade a responsabilidade sobre a segurança na internet que deveria ser das empresas, dificulta a inclusão digital e trata como crime sujeito à prisão de até três anos a transferência ou fornecimento não autorizado de dados – o que pode incluir desde baixar músicas até a mera citação de trechos de uma matéria num blog. Entre as aberrações do PL, ele pontua:

Quebra de sigilo

Ironicamente, o PL do parlamentar ligado ao partido que se diz vítima de uma suposta quebra de sigilo nas eleições, determina que os dados dos internautas possam ser divulgados ao Ministério Público ou à polícia sem a necessidade de uma ordem judicial. Na prática, será possível quebrar o sigilo de qualquer pessoa sem autorização da Justiça, ao contrário do que diz a Constituição.

Internet para ricos

Azeredo quer ainda que os provedores de acesso à Internet e de conteúdo (serviços de e-mail , publicadores de blog e o Google) guardem o registro de toda a navegação de cada usuário por três anos, com a origem, a hora e a data da conexão. Além de exemplo de violação à privacidade, o projeto deixa claro: para os tucanos, internet é para quem pode pagar, já que nas redes sem fio que algumas cidades já estão implementando para aumentar a inclusão digital, várias pessoas navegam com o mesmo número de IP (o endereço na internet).

Ajudinha aos banqueiros

Um dos argumentos do deputado ficha suja reeleito em 2010 – responde a ação penal por peculato e lavagem ou ocultação de bem – é que o rastreamento das pessoas que utilizam a internet ajudará a acabar com as fraudes bancárias. Seria mais eficaz que os bancos fossem obrigados a adotar uma assinatura digital nas transações para todos os clientes. Mas isso geraria mais custos aos bancos e o parlamentar não quer se indispor com eles.

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