terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Flip anuncia primeiros nomes e homenagem ao modernista Oswald de Andrade



O escritor modernista Oswald de Andrade será o homenageado da Flip 2011

fonte: http://www.uol.com.br/

O escritor, poeta e ensaísta modernista Oswald de Andrade (1890-1954), que completaria 121 anos nesta terça-feira (11), será o homenageado da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) de 2011, que ocorre entre 6 a 10 de julho. Ele sucede, assim, o sociólogo Gilberto Freyre, homenageado no ano passado.

A Flip também anunciou a participação de dois convidados: David Remnick, editor da revista "The New Yorker", e o escritor argentino Andrés Neuman.

A trajetória e o alcance da obra de Oswald de Andrade na formação da literatura brasileira devem servir de base para os eventos dedicados ao escritor na festa literária.

Protagonista da Semana de Arte Moderna de 1922, autor do "Manifesto da Poesia Pau-Brasil" (1924) e do "Manifesto Antropófago" (1928), Oswald de Andrade introduziu a prosa experimental no Brasil, com "Memórias Sentimentais de João Miramar" (1924), e assinou um dos primeiros livros da poesia modernista, "Pau-Brasil (1925)".

A Flip deste ano terá também novo curador, o crítico literário e jornalista Manuel da Costa Pinto, que assumiu em outubro passado o posto de Flávio Moura.


Oswald de Andrade
11/1/1890, São Paulo (SP)
22/10/1954, São Paulo (SP)

No Manifesto Antropofágico, Oswald propõe a deglutição da cultura estrangeira

José Oswald de Souza Andrade era de família abastada. Ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (São Paulo) em 1909. (Só se formaria em 1919, quando seria o orador da turma.)

Publicou seus primeiros trabalhos em "O Pirralho", semanário paulista de crítica e humor, que ele mesmo fundou em 1911.

Em 1912, viajou para Paris, onde, convivendo com a boemia estudantil, entrou em contato com o futurismo e conheceu Kamiá, mãe de Nonê, seu primeiro filho, nascido em 1914.

De volta a São Paulo, continuou no jornalismo literário. Em 1917, passou a viver com Maria de Lourdes Olzani (a Deise).

Defendeu a pintora Anita Malfatti de uma crítica devastadora de Monteiro Lobato e fundou o jornal "Papel e Tinta". Em seguida, ao lado de Anita, de Mário de Andrade e de outros intelectuais, organizou a Semana de Arte Moderna de 22.

Pelo espírito irreverente e combativo, nenhum outro escritor do modernismo ficou mais conhecido que Oswald. Sua atuação é considerada fundamental na cultura brasileira da primeira metade do século 20.

Publicou "Os Condenados" e "Memórias de João Miramar". Em 1924, iniciou o movimento Pau-Brasil, juntando o nacionalismo às idéias estéticas da Semana de 22. Em 1926, casou com a pintora Tarsila do Amaral, e os dois se tornaram a dupla mais importante das artes brasileiras (Mário de Andrade os apelidou de "Tarsiwald").

Oswald escreveu o "Manifesto Antropofágico", em que propôs que o Brasil devorasse a cultura estrangeira e criasse uma cultura revolucionária própria. Assim fariam Mário de Andrade em "Macunaíma" (1928) e Raul Bopp em "Cobra Norato" (1931).

Com a crise de 29, Oswald teve as finanças abaladas e sofreu uma reviravolta na vida. Rompeu com Mário, separou-se de Tarsila e casou com a escritora e militante política Patrícia Galvão (a Pagu). Da união nasceria Rudá, seu segundo filho.

Filiou-se ao PCB após a revolução de 1930 (romperia com o partido em 1945, embora continuasse sendo de esquerda). Em 1931, quando dirigia o jornal "O Homem do Povo", foi várias vezes detido.

Em 1936, após ter-se separado de Pagu, casou com a poetisa Julieta Bárbara. Em 1944, outro casamento, agora com Maria Antonieta D'Aikmin, com quem permaneceria até o fim da vida.

Além de poemas, já lançara o romance "Serafim Ponte Grande" (1933) e as peças "O Homem e o Cavalo" (1934) e "O Rei da Vela" (1937).

Em 1939, na Suécia, representou o Brasil num congresso do Pen Club (a entidade internacional que congrega os literatos dos diversos países). Prestou concurso para a cadeira de literatura brasileira na Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP com a tese "A Arcádia e a Inconfidência" e, em 1945, obteve o título de livre-docente.

Oswald morreu aos 64 anos. Sua poesia seria precursora de dois movimentos distintos que marcariam a cultura brasileira na década de 1960: o concretismo e o tropicalismo.




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