sexta-feira, 18 de março de 2011

Esclarecim​ento da CUT-RJ sobre a visita de Barack Obama

Diante da citação da Central Única dos Trabalhadores no noticiárioreferente à visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama,consideramos oportuno prestar o seguintes esclarecimentos :

A nossa central se soma a todos os homens e mulheres que ao redor domundo levantam a voz contra o eixo central da política externa americana, fundado no intervencionismo, no militarismo e nas guerras abertas ou veladas contra países ricos em recursos minerais. O bloqueio de mais de 50 anos a Cuba e o apoio incondicional da Casa Branca aos sucessivos governos israelenses, responsáveis pelo massacre do povo palestino, dão bem a medida do tipo de política de “direitoshumanos” adotada por Washington;

- Também somos críticos à política comercial norte-americana, cujaprática sistemática do protecionismo aos seus produtos, por um lado,e a taxação exagerada dos itens de exportação dos países emdesenvolvimento, por outro, têm levado a graves assimetrias nocomércio internacional, sempre em detrimento dos países mais pobres. Outro fator de desequilíbrio nas trocas comerciais entre as nações, edo qual os EUA é um dos protagonistas, é a “guerra cambial”, mecanismopelo qual as moedas são desvalorizadas artificialmente, no afã de se conquistar mercados;

- Contudo, não podemos ignorar a importância política e comercial da visita do presidente Obama ao Brasil, especialmente quando levamos em conta que da agenda dos seus encontros com a presidenta Dilma Rousseff de mais autoridades brasileiras consta a discussão sobre uma série de parcerias, convênios e acordos bilaterais estratégicos para o Brasil,visando seu desenvolvimento e dias melhores para sua gente;

- Por fim, embora seja forçoso reconhecer que o presidente Obama não cumpriu vários compromissos de campanha (alguns aguardados com ávido interesse em todo o mundo, como o fechamento da prisão de Guantánamo), não é possível desconhecer seu capital político e simbólico, derivado do fato de ser ele o primeiro presidente negro da históriados EUA.


Darby Igayara – presidente da CUT-RJ
Neuza Luzia Pinto – vice-presidente da CUT-RJ



Agentes do Metrô e PM reprimem protesto contra aumento do ônibus

Por: Jéssica Santos de Souza, Rede Brasil Atual

Seguranças do Metrô agiram quando ativistas aproximaram-se das catracas (Foto: Anderson Barbosa/Fotoarena/Folhapress)

São Paulo – A manifestação desta quinta-feira (17) contra o aumento do ônibus em São Paulo terminou em confronto entre ativistas e policiais na estação Anhangabaú, no centro da capital. Ao final do protesto, agentes de segurança do Metrô reagiram violentamente quando manifestantes aproximaram-se para pular as catracas da estação.

Confira a galeria de fotos da manifestação

Munidos de cassetetes, eles dispersaram o grupo, que incluía usuários que passavam pelo local e até jornalistas que cobriam o fato. A reportagem da Rede Brasil Atual foi impedida de se aproximar de um manifestante cercado por agentes e sofreu empurrões ao deixar a estação.

Na décima semana consecutiva de protestos, após a concentração em frente ao Teatro Municipal e de passar em caminhada diante da prefeitura, os manifestantes pararam o Terminal Bandeira de ônibus por cerca de 15 minutos, ainda no início da noite. Em seguida, caminharam para a avenida Nove de Julho, que ficou paralisada por aproximadamente também uns 15 minutos. O final do ato seria em frente ao acesso da Praça do Patriarca da estação Anhangabaú do Metrô.

Mas, quando alguns manifestantes se direcionaram para as catracas da estação, com a intenção de tomar a condução sem pagar pela passagem, a reação dos seguranças do Metrô foi truculenta. Durante a dispersão dos manifestantes, uma bomba de gás lacrimogênio estourou próximo aos portões da estação.

O estudante Daniel Makaoskas, de 17 anos, foi atingido no pé enquanto tentava se afastar da estação. "A polícia [agentes de segurança do Metrô] chegou e começou a bater em todo mundo, eu tentei correr e não consegui. Uma bomba estorou no meu pé, na calçada na frente da estação", conta. O estudante disse que iria procurar atendimento médico.

Segundo o capitão Amarildo Garcia, que comanda as operações militares, a PM estava no local "garantindo que a tranquilidade fosse restabelecida." Ele nega que a bomba de gás lacrimogênio tenha vindo de seus soldados. "Não houve nenhuma ação da Polícia Militar neste caso; não há o [Batalhão de] Choque aqui, só a força regular", apontou.

Os seguranças do Metrô agiram munidos exclusivamente de cacetetes. Eles não têm autorização para portar outros tipos de armamentos e não têm acesso a qualquer tipo de bomba de efeito moral.

Agressões

O vice-presidente do Movimento População em Situação de Rua, Charles Santos, que chegou no final do ato acompanhando o vereador José Américo (PT), conta que, quando a confusão começou, ele tentou sair do local, mas viu um cinegrafista caído e foi ajudá-lo.

"Dois seguranças do Metrô me bateram com cacetetes nos ombros e no rosto. O que mais indigna é que os policiais viram dois seguranças baterem em mim e não fizeram nada", desabafa.

De acordo com manifestantes, após o confronto naquela estação do metrô, estudantes e usuários que se dirigiram ao Terminal Bandeira para usar o ônibus foram sendo empurrados pela passarela e as escadas do local. "Na saída, tinha pessoas sem uniforme dispersando os usuários com uso de força física e sem identificação nenhuma", acusa um manifestante.

Segundo o ativista, alguns motoristas e cobradores de ônibus chegaram a ajudar os manifestantes a embarcar, para evitar confrontos. Um rapaz foi agredido e desmaiou. Segundo o Movimento do Passe Livre, o jovem foi atendido na Santa Casa de Misericórdia, na região central. Outros manifestantes também foram para o hospital com escoriações e feridas causadas por estilhaços da bomba.

Para o vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais, Marcelo Zelic, que acompanhou o protesto, a ação de agentes de segurança da estação Anhangabaú do metrô foi indevida. Ele considera que os seguranças deveriam ter deixado os manifestantes pularem as catracas para evitar problemas.




"Carne Osso" retrata trabalho nos frigoríficos brasileiros

Selecionado para o Festival "É Tudo Verdade", documentário alia imagens impactantes a depoimentos que caracterizam o duro cotidiano do trabalho nos frigoríficos brasileiros de abate de aves, bovinos e suínos

Por Repórter Brasil

Quem trabalha em um frigorífico se depara diariamente com uma série de riscos que a maior parte das pessoas sequer imagina. Exposição constante a facas, serras e outros instrumentos cortantes; realização de movimentos repetitivos que podem gerar graves lesões e doenças; pressão psicológica para dar conta do alucinado ritmo de produção; jornadas exaustivas até mesmo aos sábados; ambiente asfixiante e, obviamente, frio - muito frio.

Clique aqui e assista ao trailer do documentário "Carne Osso", da Repórter Brasil
Esse é o duro cotidiano de trabalho nos frigoríficos brasileiros de abate de aves, bovinos e suínos que o documentário "Carne Osso" (confira trailer) traz à tona. Ao longo de dois anos, a equipe da ONG Repórter Brasil percorreu diversos pontos nas regiões Sul e Centro-Oeste à procura de histórias de vida que pudessem ilustrar esses problemas.

O filme alia imagens impactantes a depoimentos que caracterizam uma triste realidade que deve ser encarada com a devida seriedade pela iniciativa privada, pela sociedade civil e pelo poder público.

Selecionado para o Festival "É Tudo Verdade", "Carne Osso" concorre na competição brasileira de longas e médias metragens. O filme será exibido nos dias 2 (às 21h) e 3 (às 13h) de abril, no Cine Unibanco Arteplex (Sala 6) - Praia de Botafogo, 316, Rio de Janeiro (RJ). Em São Paulo (SP), às exibições estão marcadas para 4 (às 21h) e 5 (às 13h) de abril, no Cine Livraria Cultura (Sala 1), no Conjunto Nacional, na Av. Paulista, 2073. A entrada é gratuita.

Danos físicos e psicológicos

"Cerca de 80% do público atendido aqui na região é de frigoríficos. Ainda é um pouco difícil porque o círculo vicioso já foi criado. O trabalhador adoece e vem pro INSS. Ele não consegue retornar, ele fica aqui. E as empresas vão contratando outras pessoas. Então já se criou um círculo que agora para desfazer não é tão rápido e fácil"

Juliana Varandas, terapeuta ocupacional do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) de Chapecó (SC).

As estatísticas impressionam. De acordo com o Ministério da Previdência Social, um funcionário de um frigorífico de bovinos tem três vezes mais chances de sofrer um traumatismo de cabeça ou de abdômen do que o empregado de qualquer outro segmento econômico. Já o risco de uma pessoa de uma linha de desossa de frango desenvolver uma tendinite, por exemplo, é 743% superior ao de que qualquer outro trabalhador. E os problemas não são apenas físicos. O índice de depressão entre os funcionários de frigoríficos de aves é três vezes maior que o da média de toda a população economicamente ativa do Brasil.

Ritmo frenético

"A gente começou desossando três coxas e meia. Depois, nos 11 anos que eu fique lá, cada vez eles exigiam mais. Quando saí, eu já desossava sete coxas por minuto"

Valdirene Gonçalves da Silva, ex-funcionária de frigorífico

Em alguns frigoríficos de aves, chegam a passar mais de 3 mil frangos por hora pela "nória" - a esteira em que circulam os animais. Há trabalhadores que fazem até 18 movimentos com uma faca para desossar uma peça de coxa e sobrecoxa, em apenas 15 segundos. Isso representa uma carga de esforço três vezes superior ao limite estipulado pelos especialistas em saúde do trabalho.

Reclamações curiosas

"Tu não tem liberdade pra tu ir no banheiro. Tu não pode ir sem pedir ordem pro supervisor teu, pro encarregado teu. Isso aí é cruel lá dentro. Tanto que tem gente que até louco fica"

Adelar Putton, ex-funcionário de frigorífico

Muitos trabalhadores se queixam também de restrições de menor importância – pelo menos, aparentemente. Por exemplo: o funcionário só pode ir ao banheiro com permissão do supervisor e em um tempo bastante curto, coisa de poucos minutos. Também são tolhidas aquelas conversinhas paralelas que possam diminuir o ritmo de trabalho.

Problemas com a Justiça

"O trabalho é o local em que o empregado vai encontrar a vida, não é o local para encontrar a morte, doenças e mutilações. E isso no Brasil, infelizmente, continua sendo uma questão séria"

Sebastião Geraldo de Oliveira, desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª região (TRT-3)

Nas regiões em que estão instaladas as indústrias frigoríficas, boa parte dos processos que correm na Justiça do Trabalho diz respeito a essas empresas. Em cidades como Chapecó, no oeste de Santa Catarina, as ações movidas por trabalhadores contras essas companhias respondem por mais da metade dos processos.

Pujança econômica

"Esse é um problema de interesse do conjunto da sociedade, não é só de um setor. O Estado tem que se posicionar. Não se pode fazer de forma tão impune ações que levam ao adoecimento e à incapacidade tantos trabalhadores"

Maria das Graças Hoefel, médica e pesquisadora

O Brasil é simplesmente o maior exportador de proteína animal do mundo. O chamado "Complexo Carnes" ocupa o terceiro lugar no pódio do agronegócio nacional, atrás apenas da soja e do açúcar/etanol. Em 2010, as vendas externas superaram US$ 13 bilhões. No total, o setor emprega diretamente 750 mil pessoas. Vale lembrar que muitos desses frigoríficos se transformaram em gigantes no mercado mundial com dinheiro do governo via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) -o principal banco de fomento da economia brasileira.

Melhorar é possível

"Basicamente, é conscientizar essas empresas para reprojetar essas tarefas. Introduzir pausas, para que exista uma recomposição dos tecidos dos membros superiores, da coluna. Em algumas vai ter que ter diminuição de ritmo de produção. Nós estamos hoje chegando só no diagnóstico do setor. Mas as empresas ainda refratárias a esse diagnóstico"

Paulo Cervo, auditor fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)

Não é difícil diminuir a incidência de problemas no ambiente de trabalho de um frigorífico. Reduzir a jornada de trabalho, adotar um rodízio de tarefas, diminuir o ritmo da linha de produção e realizar pausas mais frequentes e mais longas são algumas medidas possíveis. Falta apenas que as empresas se conscientizem disso.

Ficha técnica - Carne Osso
Duração: 65 minutos
Direção: Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros
Roteiro e edição: Caio Cavechini
Fotografia: Lucas Barreto
Pesquisa: André Campos e Carlos Juliano Barros
Produção Executiva: Maurício Hashizume
Realização: Repórter Brasil, 2011

Exibições - É Tudo Verdade
Entrada gratuita

Rio de Janeiro (RJ)
2 de abril - 21h
3 de abril - 13h
Cine Unibanco Arteplex (Sala 6)
Praia de Botafogo, 316

São Paulo (SP)
4 de abril - 21h
5 de abril - 13h
Cine Livraria Cultura (Sala 1)
Conjunto Nacional, na Av. Paulista, 2073


Sob pressão, Obama transfere discurso para local fechado

A Cinelândia não será mais o palco do indesejado discurso que o presidente norte-americano, Barack Obama, pretende fazer no domingo (20), durante sua visita ao Brasil. Alvo de protestos dos movimentos sociais, de partidos políticos e de inúmeras lideranças, o
pronunciamento será transferido para um local fechado, provavelmente o Theatro Municipal do Rio de Janeiro – que também fica na região central da cidade.

Apesar da mudança, a agenda de manifestações contra Obama está confirmada e foi decisiva para o recuo. Os norte-americanos chegaram a exigir a presença de seus atiradores de elite na Cinelândia – o que irritou até o Itamaraty.

Segundo o jornalista Kennedy Alencar, da Folha.com, a própria presidente Dilma Rousseff “ficou contrariada com a decisão do colega americano de discursar no Rio de Janeiro”. Segundo ele, “cresceu nos últimos dias a tensão entre os diplomatas brasileiros e americanos a respeito da organização da viagem, sobretudo em relação ao discurso no Rio”.

“Já faz algumas semanas que o Palácio do Planalto vem tentando dissuadir a Casa Branca. Primeiro, auxiliares da presidente manifestaram dúvida em relação ao êxito de público do comício de Obama numa praça pública. Depois, alegaram que haveria dificuldade para garantir toda a segurança necessária ao homem mais poderoso do mundo. Por fim, foi revelado aos americanos que Dilma achava estranha a ideia. Reservadamente, um ministro chegou a dizer que equivaleria a um discurso da brasileira na Times Square de Nova York”, escreve Kennedy.

Militares do Exército ocupam desde o início desta manhã pontos estratégicos do centro do Rio, como parte do esquema de segurança para a vista de Obama. Soldados da Brigada de Infantaria Paraquedista estão localizados, por exemplo, em pontos das avenidas Presidente Vargas e Rio Branco.

Um veículo blindado militar está posicionado na Avenida Rio Branco, a principal do centro do Rio, próximo à Biblioteca Nacional, em frente à Cinelândia. Homens do Exército também fazem parte do esquema de segurança, ao lado de policiais federais, estaduais e agentes do Serviço Secreto da Casa Branca. Em Brasília, o esquema de segurança ganhou o reforço do Corpos de Bombeiros e da Polícia Militar.

No Rio, antes de fazer o discurso, Obama deverá visitar o Cristo Redentor junto à mulher, Michelle, e as filhas Malia, de 10 anos, e Sasha, de 7. Devido a esse esquema de segurança paranoico, eles encontrarão um Cristo completamente isolado, sem turistas e funcionários. Devido ao bloqueio do monumento, até equipes de limpeza e ascensoristas foram dispensados – o que obrigará a própria equipe do presidente a operar os elevadores que dão acesso ao pé da estátua.

A Arquidiocese do Rio, que administra o santuário do Cristo Redentor, passará o controle do espaço à equipe de Obama no fim da noite de sábado. Os seguranças terão liberdade para realizar o reconhecimento da área, varreduras e ações de patrulhamento antes da chegada da família do presidente. A família Obama também pretende ir, ainda, à Cidade de Deus, na zona oeste.

Manifestações

Apesar do apoio do governador Sérgio Cabral (PMDB-RJ), a presença de Obama não sensibilizou as forças progressistas. Segundo as entidades – que lançaram o manifesto “Obama é persona non grata no país” –, a visita faz parte de um conjunto de estratégias de Washington para tentar reverter o cenário de crise vivido pelos Estados Unidos hoje.

Os protestos terão três eixos – ou palavras-de-ordem: “Obama: são muitas guerras para quem fala em paz!”, “Obama, go home!” e “Obama, tire as mão do nosso pré-sal!”. Nesta sexta (18), às 16 horas, será realizada uma passeata da Candelária à Cinelândia.

Já no domingo (20), as entidades organizam ações diversificadas durante o pronunciamento de Obama. As manifestações acontecerão em diversos pontos da cidade e deverão utilizar humor e sarcasmo para expressar seu repúdio e indignação.

Da Redação, com agências http://www.vermelho.org.br/


Obama prova que o Brasil é mesmo a casa da mãe Joana
Imprudência diplomática


Mauro Santayana, no JB, via Conversa Afiada e VioMUndo

É preciso romper o silêncio da amabilidade para estranhar o pronunciamento público que o presidente Obama fará, da sacada do Teatro Municipal, diante da histórica Cinelândia. Afinal, é de se indagar por que a um chefe de Estado estrangeiro se permite realizar um comício – porque de comício se trata – em nosso país. Apesar das especulações, não se sabe o que ele pretende dizer exatamente aos brasileiros que, a convite da Embaixada dos Estados Unidos – é bom que se frise – irão se reunir em um local tão estreitamente vinculado ao sentimento nacionalista do nosso povo.

É da boa praxe das relações internacionais que os chefes de estado estrangeiros sejam recebidos no Parlamento e, por intermédio dos representantes da nação, se dirijam ao povo que eles visitam. Seria aceitável que Mr. Obama, a exemplo do que fez no Cairo, pronunciasse conferência em alguma universidade brasileira, como a USP ou a UNB, por exemplo. Ele poderia dizer o que pensa das relações entre os Estados Unidos e a América Latina, e seria de sua conveniência atualizar a Doutrina Monroe, dando-lhe significado diferente daquele que lhe deu o presidente Ted Roosevelt, em 1904. Na mensagem que então enviou ao Congresso dos Estados Unidos, o presidente declarou o direito de os Estados Unidos policiarem o mundo, ao mesmo tempo em que instruiu seus emissários à América Latina a se valerem do provérbio africano que recomenda falar macio, mas carregar um porrete grande.

Se a idéia desse ato público foi de Washington, deveríamos ter ponderado, com toda a elegância diplomática, a sua inconveniência. Se a sugestão partiu do Itamaraty ou do Planalto, devemos lamentar a imprudência. Com todos os seus méritos, a presidência Obama ainda não conseguiu amenizar o sentimento de animosidade de grande parte do povo brasileiro com relação aos Estados Unidos. Afinal, nossa memória guarda fatos como os golpes de 64, no Brasil, de 1973, no Chile, e ação ianque em El Salvador, em 1981, e as cenas de Guantánamo e Abu Ghraid.

O Rio de Janeiro é uma cidade singular, que, desde a noite das garrafadas, em 13 de março de 1831, costuma desatar seu inconformismo em protestos fortes. A Cinelândia, como outros já apontaram, é o local em que as tropas revolucionárias de 1930, chefiadas por Getúlio Vargas, amarraram seus cavalos no obelisco então ali existente. Depois do fim do Estado Novo, foi o lugar preferido das forças políticas nacionalistas e de esquerda, para os grandes comícios. A Cinelândia assistiu, da mesma forma, aos protestos históricos do povo carioca, quando do assassinato do estudante Edson Luis, ocorrido também em março (1968). Da Cinelândia partiu a passeata dos cem mil, no grande ato contra a ditadura militar, em 26 de junho do mesmo ano.

Não é, convenhamos, lugar politicamente adequado para o pronunciamento público do presidente dos Estados Unidos. É ingenuidade não esperar manifestações de descontentamento contra a visita de Obama. Além disso – e é o mais grave – será difícil impedir que agentes provocadores, destacados pela extrema-direita dos Estados Unidos, atuem, a fim de criar perigosos incidentes durante o ato. Outra questão importante: a segurança mais próxima do presidente Obama será exercida por agentes norte-americanos, como é natural nessas visitas. Se houver qualquer incidente entre um guarda-costas de Obama e um cidadão brasileiro, as conseqüências serão inimagináveis.

Argumenta-se que não só Obama, como Kennedy, discursaram em público em Berlim. A situação é diferente. A Alemanha tem a sua soberania limitada pela derrota de 1945, e ainda hoje se encontra sob ocupação militar americana.

Finalmente, podemos perguntar se a presidente Dilma, ao visitar os Estados Unidos, poderá falar diretamente aos novaiorquinos, em palanque armado no Times Square.


Presidenta do Brasil fará discurso no Central Park em Nova York

Por Ednaldo Britto, no Escrevinhador via CartaCapital

No próximo final de semana, a presidenta Dilma Russeff fará um discurso político no Central Park, em plena Nova York, para milhares de cidadãos americanos.

Para aproveitar a oportunidade, o embaixador do Brasil nos Estados Unidos criou um site somente para que os internautas dos EUA enviem mensagens de boas vindas para Dilma Russeff.

Preocupados com a segurança da presidenta, o Ministério da Defesa do Brasil enviou agentes e um helicóptero com fuzileiros navais para sobrevoar a área onde ocorrerá o discurso.

O Central Park foi escolhido como local para o pronunciamento de Dilma por sua importância cultural e política para a história americana. No imenso parque localizado no coração de Nova York, já foram realizados discursos de Martim Luter King e do atual presidente dos EUA Barack Obama.

Segundo informações do Itamaraty, em seu discurso, Dilma Russeff falará da atual condição do Brasil no cenário mundial, buscando destacar a sua importância política, econômica e cultural. Na ocasião, haverá a audição do hino nacional com o hasteamento da bandeira do Brasil. O evento promovido pela diplomacia brasileira buscará ampliar a influência política do Brasil em território americano.

Segundo pesquisas de opinião realizadas em diversas regiões dos EUA, grande parte da população americana está curiosa para conhecer a presidenta do Brasil. Visto que em toda a história política dos EUA nenhuma mulher foi eleita como presidenta.

A intervenção da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) no conflito da guerra fria entre EUA e Rússia, durante as décadas de 1960 e 1970, é algo que preocupa a diplomacia brasileira. Por tal razão, nenhum assunto ligado a este período será abordado na ocasião.

O discurso de Dilma será transmitido ao vivo pela Rede Globonews e exibido com legendas em inglês em telões instalados estrategicamente por toda a área do Parque. Os organizadores da “festa” estimam que, pelo menos, cinquenta mil pessoas compareçam. Para evitar contratempos, toda a área do Central Park estará cercada por agentes brasileiros e militares americanos.

Se você considera descabido o pronunciamento de um presidente do Brasil em pleno Central Park nas condições expostas acima. Saiba que, no próximo final de semana, o presidente Barack Obama estará na Cinelândia no Rio de Janeiro cometendo este ato de arrogância e abuso de poder.

Nota do Escrevinhador: O presidente americano desistiu de fazer o discurso na Cinelândia, onde esperava falar para cerca de 30 mil pessoas. Provavelmente, o comício ocorrerá no Theatro Municipal, do Rio de Janeiro. O motivo oficial para a desistência não foi informado.

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