sábado, 26 de março de 2011

Jura secreta 13


o tecido do amor já esgarçamos
em quantos outubros nos gozamos
agora que palavro itaocaras
e persigo outras ilhas
na carne crua do teu corpo
amanheço alfabeto grafitemas
quantas marés endoidecemos
e aramaico permaneço doido e lírico
em tudo mais que me negasse
flor de lótus flor de cactos flor de lírios
ou mesmo sexo sendo flor ou faca fosse
hilda hilst quando então se me amasse
ardendo em nós salgado mar
e olga risse
olhando em nós
flechas de fogo se existisse
por onde quer que eu te cantasse
ou amavisse

arturgomes
http://juras-secretas.blogspot.com/


pele grafia 

meus lábios em teus ouvidos
flechas netuno cupido
a faca na língua a língua na faca
a febre em patas de vaca
as unhas sujas de Lorca
cebola pré sal com pimenta
tempero sabre de fogo
na tua língua com coentro
qualquer paixão re/invento

o corpo/mar quando agita
na preamar arrebenta
espuma esperma semeia
sementes letra por letra
na bruma branca da areia
sem pensar qualquer sentido
grafito em teu corpo despido
poemas na lua cheia




isadora

onde teus pés
bailarina dançam
cato os vestígios do tempo
onde teus olhos
bailarina olham
um gato
passeia no teu colo
e na vidraça
o giz derrama poesia
escritas
com punhos de ontem
em tua cidade
de serras
onde teus braços
bailarina sustentam
tuas mãos
que colhem uvas
coloco águas
de chuva
para que teus vinhedos
não cessem
e deles
brotem sempre
da flor o fruto sagrado
e os teus segredos
guardados
entre os teus lábios
de vinho

jura secreta 117

o poema fosse apenas o que eu quisesse
um beijo bem no fundo dos teus olhos
palavras passeando tua pele
enquanto a boca fosse pétalas
e o sorriso flor de lotus
fosse outono inverno em outra era
e maira fosse a síntese de setembro
e esse agosto se abrindo
em sol de primaveras


Jura secreta 116

a chama da vela acesa
teu corpo me arde
em chamas

arturgomes

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