segunda-feira, 28 de março de 2011

juras secretas


Jura secreta 7

fosse sampa uma cidade
ou se não fosse não importa
essa cidade me transporta
me transborda me alucina
me invadeinter fere na retina
com sua cruel beleza
como Oswald de Andrade
e sua realidade
como Mário de Andrade
e sua delicadeza

jura secreta 19

a lavra da palavra quero
onde mayara bruma já me diz espero
saliva na palavra espuma
onde tua lavra é uma
elétrica pulsação de eros
a dançado teu corpo vero
onde tua alma luna
e o meu corpo impluma
valsa por laguna em beijos e boleros


injúria secreta

suassuna no teu corpo
couro de cor compadecida
ariano sábio e louco
inaugura em mim a vida

pedra de reino no riacho
gumes de atalhos na pedreira
menina dos brincos de pérola
palavra acesa na fogueira

pós os ismos tudo é pós
na pele ou nas aranhas
na carne ou nos lençóis
no palco ou no cinema
o que procuro nas palavras
é clara quando não é gema

até furar os meus olhos
com alguma cascata de luz
devassa quando em mim transcende
lamparina que acende
e transforma em mel o que antes era pus



SagaraNAgens Fulinaímicas

guima
meu mestre guima
em mil perdões
eu vos peço
por esta obra encarnada
nacarne cabra da peste
da hygia ferreira bem casta
aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta

ave palavra profana
cabala que vos fazia
veredas em mais sagaranas
a morte em vidas severinas
tal qual antropofagia
teu grande serTão vou cumer

nem joão cabral severino
nem virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra o fazer

a ferramenta que afino
roubei do meste drummundo
que o diabo giramundo
é o narciso do meu Ser




 que mistérios tem clarice


que mistérios tem clarice
o rio o mar o corcovado
a rocinha o méier engenho de dentro
que mistério tem o centro
a direita a esquerda
a massa o burguês o proletariado
são paulo goiás pernambuco
ceará tocantins maranhão
que mistério tem eunuco
pra não ser mais garanhão
que mistério tem a lapa
o tapa na cara do povo
que mistério tem o velho
que mistério tem o novo
acari madureira inhaúma
que mistério tem pavuna
pão de açúcar corcovado
que mistério tem a ilha
o planalto de brasilha
pra sarney mais uma vez
ser presidente do senado


fulinaimagem

1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca
a afiar os verso que ainda não fiz
e as brigas de amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto
que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim admirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

2

o que trago embaixo as solas dos sapatos
bagana acesa sobra o cigarro é sarro
dentro do carro
ainda ouço jimmi hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama
a seda pura foto síntese do papel
tem flor de lótus nos bordéis copacabana
procuro um mix da guitarra de santana
com os  espinhos da rosa de Noel


baby é cadelinha

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob o esterco de vênus
onde me perco mais me encontro menos
de tudo o que não sei
só fere mais quem menos sabe
sabre de mim baioneta estética
cortando os versos do teu descalabro
visto uma vaca triste como a tua cara:

estrela cão meu gatilho morro
a poesia é o salto de uma vara

disse-me uma vez quem não me disse
ferve o olho do tigre quando plasma
letal a veia no líquido do além
cavalo máquina meu coração quando engatilho


devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os demônios de eros
fisto uma festa a mais que tua vera

cadela pão meu filho forro
a poesia é o auto de uma fera

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os panos quem incesta
perfume o odor final do melodrama
sobras de mim papel e resma
impressão letal dos meus dedos imprensados
misto uma merda a mais que tua garra:

panela estrada grão socorro
a poesia é o fausto de uma farra


travessia

de almada
vou atravessa o tejo
barco a vela
portugal a fora

em lisboa
vou compor um fado
e cantar no porto
feito um blues rasgado
de amor pela senhora
que me espera em paz

e todo vinho
que eu beber agora
será como um beijo
que guardei inteiro
como um marinheiro
que retorna ao cais


cezane não pintava flores

cezane não pintava flores
montado em seu cavalo alado
despejava tintas
no corpo da mulher amada
com os pincéis encravados
entre as coxas
transformou hollandas
em quintais de vento
re-inventou o tempo
na hora de pintar



jura secreta 128

a carne que me cobre é fraca
a língua que me fala é faca
o olho que me olha vaca
alfa me querendo beta
juro que não sou poeta
a ninfa que me ímã
quando arquiteta
o salto da abelha
quando mel em flor
e pulsa pulsa pulsa
a matéria negra cor
quando a pele que veste é nada
éter pluma seda pêlo
quando custa estar em arcozelo
desatar a lã
dos fios do novelo
no sol de amsterdã
desvendar hollanda
e os mistérios da palavra
por entre os cotovelos

jura secreta 129

a coisa que me habita é pólvora
dinamite em ponto de explosão
o país em que habito é nunca
me verás rendido a normas
ou leis que me impeçam a fala
a rua onde trafego é amplo
atalho pra o submundo
o poço onde mergulho é fundo
vai da pele que me cobre a carne
ao nervo mais íntimo do osso


jura secreta 70

eu sou a outra parte
que habita dentro do meu outro eu
não a casca da carcaça aqui de fora

o que se vê no espelho
e ó imagem
narciso mergulhado
a própria sombra

o cavalo na folhagem
esse sim é o que se vê na tela
quando a câmera revela
o concreto da outra pessoa que não sou



brazílica pereira

ouro preto das minas gerais
meu corpo esquartejado
em pedaços
como um qualquer tiradentes
por uma confidência
contra o rei de portugal
ouro preto das tordezilhas
meus dias de fel e sal
neste hotel de brazilha
planalto das m a r a v ilhas
mar de lama e bakanal


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