segunda-feira, 21 de março de 2011

o problema não é maria bethânia: reforma urgente no MINc


assim como a Lei dos Direitos Autorais, a Lei Rouanet precisa de uma revisão urgente, para que o incentivo a cultura seja aplicado onde realmente se necessita, e venha a contemplar positivamente a diversidade cultural brasileira, pois da forma como a Lei Rouanet é aplicada as empresas privadas privilegiam aqueles projetos onde suas marcas vão ter mais visibilidade, e ao mesmo tempo o governo lhes outorga o direito de decidir sobre o dinheiro público Sim, pois ao abater do importo de renda uma parte do que foi aplicado como incentivo cultural, as empresas estão dando destinação a seu bel prazer um percentual considerável de verbas que poderiam estar sendo aplicadas onde se mais necessita. Mas parece que para a ministra Ana da Hollanda, os “grandes artistas” tewm direito a essas mamatas.

leia a seguir texto d produtra Clara Marques publicado no site Salvador Alternativo, sobre a polêmica liberação de captação de recursos para o Blog de Maria Berthânia



Opinião: O problema não é Maria Bethânia…

Por Clara Marques Campos


Não há outra forma de começar este texto sem esclarecer, antes de qualquer coisa, que não estou defendendo Maria Bethânia e que nem sou fã do seu trabalho.

O que mais me desanima nesta história toda e na repercussão que a coisa tomou é a maneira como as pessoas perdem o foco da causa mais importante e deixam de atacar a verdadeira razão do problema para procurar endemonizar uma figura pública.

A grande questão disso tudo, e que muita gente não percebe, é que o problema não é o projeto de Maria Bethânia. Não tive acesso a ele, mas acredito que não exista nada errado com o projeto. As pessoas se assustam com a cifra e não querem entender mais nada.

Para começar, o projeto está até barato. Desde quando 3,5 mil reais (1,3 milhão do projeto dividido pelos 365 vídeos que serão realizados) está caro para um clipe de Andrucha Waddington (diretor global e de filmes premiados em Cannes e outros festivais – e, mais uma vez, digo que não estou exercendo nenhum juízo de valor sobre o trabalho deste profissional)? E isso se o
montante todo fosse para a realização dos vídeos, sem contar o cachê de Maria Bethânia, de Hermano Vianna (que coordena o projeto), os custos com o site (design, programação, manutenção, hospedagem e etc e etc), além de toda uma equipe técnica de dezenas de pessoas envolvidas e trabalhando.

Não acho que o projeto seja ilegítimo. E não acho um absurdo o valor. O problema, obviamente, é quem paga essa conta. E se, por lei, Maria Bethânia tem o direito de inscrever um projeto, por que está errado ela inscrever? Se você fosse rico e famoso e tivesse direito a um recurso para investir em sua carreira, gravar um novo CD, clipe ou filme, não faria? O grande equívoco do
negócio é a lei que permite que ela faça isso. E não só ela. Ivete Sangalo, Marisa Monte, CaetanoVeloso, o Rock in Rio (sim!), diversas super produções da Globo Filmes e uma infinidade de projetos milionários tem a todo ano a sua captação aprovada através de leis de incentivo.

Ah, eu disse captação. Porque ainda tem isso. Tem gente que não sabe o que esta palavra significa e pensa que o Governo está entregando a dinheirama diretamente na mão da cantora. Não, o projeto dela foi apenas habilitado a captar recursos. Isso significa que agora eles terão que procurar patrocinadores junto à iniciativa privada. As empresas é que vão pagar o 1,3 milhão ao projeto de Maria Bethânia e depois vão abater parte desta quantia do imposto de renda (aí sim, indiretamente, este valor sai dos cofres públicos).

A Lei Rouanet não avalia o mérito do projeto e o seu desdobramento social. Para um projeto ser aprovado basta que ele preencha todos os pré-requisitos do formulário de forma clara e objetiva e que o currículo do proponente comprove que ele tem capacidade técnica de realizar tal projeto.

Neste ponto, temos a grande questão. Além de Maria Bethânia, também o Joãozinho, o Juquinha e a Aninha tiveram os seus projetos inscritos e aprovados para a captação pela Lei Rouanet. Mas as grandes empresas vão preferir patrocinar quem? A grande Maria Bethânia ou os ilustres
desconhecidos fictícios citados acima? Lógico que os empresários vão investir o seu rico dinheirinho em artistas já famosos e consagrados que vão garantir mais visibilidade e retorno de marca.

Assim, as organizações ganham duas vezes: com o imposto que é isentado e com a publicidade gratuita obtida nestes grandes projetos. Isso sim é um absurdo. Porque a decisão do destino dos recursos públicos fica a cargo da iniciativa privada, que acaba por gerir, de alguma forma, a política cultural nacional com interesses substancialmente mercadológicos. É a privatização da cultura!

Então, mais uma vez eu repito. O problema não está com Maria Bethânia, tampouco com o orçamento do seu projeto. Ela está apenas exercendo um direito de cidadã e de artista. O problema todo é o mecanismo de tal lei que permite que um projeto com grande apelo midiático e facilidade de obtenção de patrocínios privados dispute os investimentos estatais com outros
projetos de menor visibilidade.

O que mais me deixa indignada em repercussões deste tipo é a escolha de alguém famoso para alvo de ataques, sem que ele tenha culpa real na questão. Reparem a grande mobilização na internet que está levando o assunto aos Trends Topics do Twitter e gerando uma avalanche de posts em blogs diversos e em perfis do Facebook. Tudo isto para falar (mal) de Maria Bethânia e do valor astronômico da sua nova obra. Enquanto se deixa de atacar a verdadeira raiz do problema. Simplesmente um desperdício de tempo, saliva e caracteres. Não seria mais produtivo se este esforço fosse direcionado para a discussão da reformulação da lei em questão?

Sobre o Autor

Clara Marques Campos é produtora cultural, bacharel em Comunicação Social pela Facom, UFBA, onde atualmente estuda também Jornalismo. Idealizadora do Salvador Alternativo e do Guia de Produção do Rock. Presta ainda serviços em Assessoria de Comunicação, Gestão de Mídias Sociais e Produção de Conteúdo para Web.

http://www.salvadoralternativo.com.br/author/clara>

PS do Blog: que o valor nãos eja astronômico, mas pergunto: qual a necessidade dessa estrutura toda para se produzir vídeos para a internet? Respondo: nenhuma. Na vcerdade trata-se de umaesperteza, ao saber que a Lei Rouanet pode proporcionar esta mamata quem não quer?


Senadora Lídice da Mata quer explicações sobre os direitos de transmissão do brasileirão

O Clube dos 13 fechou com a Rede Tv, mas quem venceu?

Senadora quer convocar CBF, TVs e C13 para explicações

Na véspera da próxima licitação dos direitos de exibição dos Campeonatos Brasileiros de 2012 a 2014, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado vota, terça-feira (22), o requerimento da senadora Lídice da Mata, do PSB baiano, para que os envolvidos na polêmica concorrência participem de uma audiência pública sobre o assunto.

Ela quer convocar o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, o líder do Clube dos 13, Fábio Koff, e representantes das emissoras de TVs. "A intenção é discutir sobre a disputa dos direitos de transmissão dos jogos", disse a Terra Magazine.

A parlamentar quer explicações sobre as negociações, que avançam nos bastidores e carecem de transparência. "É a tentativa de entender e ajudar a esclarecer, para a opinião pública e a população, o que está acontecendo; de que maneira o Congresso, como Parlamento, pode contribuir para que essas coisas se resolvam", afirma, com a experiência de ter presidido a Comissão de Turismo e Desporto da Câmara, com amplos debates sobre esportes.

- A ideia não é nem tumultuar, porque eu sei que tem aí uma CPI de (Anthony) Garotinho (deputado do PR-RJ) sobre Ricardo Teixeira, não é isso, não vai nessa direção - avisou Lídice.

Ela justificou que, embora se trate de uma disputa comercial entre empresas, "tem interesse público, sim, da sociedade em acompanhar". E completou: "O governo, por exemplo, fez leis para estimular a reorganização dos clubes brasileiros, num momento em que o financiamento dos clubes vira debate no Congresso Nacional".

Uma das referências para a definição das cotas de cada time é a audiência gerada por eles, o que corresponde diretamente às massas de torcedores.

- É o povão inclusive. É a paixão de um povo por um esporte, que se transforma em milhões de reais - observou a senadora. - É o esporte nacional, a preferência nacional, a paixão nacional. O Campeonato Nacional mobiliza milhões de pessoas e milhões de reais. Tem clubes saindo do Clube dos 13, o Flamengo e o Corinthians estão reivindicando que ganhem mais. O público merece uma explicação deste episódio, que envolve o principal campeonato do País.

Leia também:

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Mundial

A batalha pelo Brasileirão desemboca na Copa do Mundo de 2014. "Por exemplo, a respeito da discussão da retransmissão daqueles 3 minutos a que as outras emissoras têm direito e que a Globo não concorda, a própria Fifa acha que não deve ter", conta Lídice da Mata.

Ela defende que esse assunto não se distancie da sociedade, que está vinculada a ele. "Essa discussão da transmissão exclusiva, claro que, com o passar do tempo e na medida em que se profissionalizam cada vez mais o futebol e os grandes eventos futebolísticos internnacionais, isso passa a ser uma coisa cada vez mais de interesse público", avaliou.

A consolidação dos formatos do Brasileirão e sua melhora em termos de organização são apontados pela senadora como avanços ameaçados pelo impasse da negociação televisiva.

- Depois de tantos anos, agora que se conseguiu ter uma tabela permanente, um campeonato mais ou menos estabilizado, acontecem mecanismos de desestabilização. É a preparação dos clubes, é a preparação dos atletas, quem sabe de alguém que vai estar na Copa do Mundo amanhã.

Eliano Jorge / Terra via Palavras-Diversas

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