quarta-feira, 23 de maio de 2012

depois que nos falamos pela última vez


Depois que nos falamos pela última vez grambel calou tua boca de onde nada mais ouvia secreta mata onde Circe desnudou os dedos ainda mais que o ciúme régia de fogo no olho esquerdo de dédalus direito de beatrices agarrando os dentes com unhas da forma mais desprezível em busca do seu próprio corpo esqueleto submerso no íntimo da existência em harmonia com o gosto que o mundo assim exigia retalhos imortais do SerAfim imagens palavras cortantes mostram-se inteiramente nuas diante dos meus sexus salve-me rainha das deformações que se apresentam a esse respeito na consciência humana formada pela escravidão social temos um exemplo disso no ciúme para surpreender o íntimo na posse da solidão que alimenta carruagens de seda com cavalos noturnos durante o solar e o inverno ao sabor da convulsão das águas golpe funesto nos seios sertão de intrínsecas gaitas de esporas na garupa um punhal dentro da fruta do meu tédio mas outro tópico me parece instigante nessa relação ciúme silêncio no estágio atual das ciências eletrônicas eletro científicas palavras em tom de alerta soam como pré sentimentos do futuro ou antenas canibais da filosofia descontinuidade do apego e do rigor com que cada sentimento se instala no aparelho divisor do corpo/espada/olho/TV seios estourando a cauda do vestido minerais que dormem a vida inteira quando acordares e o sentires do teu lado roçando-te os ombros como formas de alento mas quem conhece a fundo vive só a cena se desenvolve também numa plateia no interior do Ícaro onde arde pregando um facho na primeira fila de cadeiras que permanecerá vazia sem desejar nada de ti ofereço-te meu coração de galinha no impacto da primeira cicatriz que cai na medida exata daquilo que acentuamos no processo e ganha espaço um imenso painel de artes plásticas acima de tudo contemporâneo e o mar esse trem do quase azul das artes visuais nos ensaios das tardes de setembro vozes como uma faca sertão e corta seus instintos como corpo e signo argamassa do silêncio dos seus gumes prateados pousa delicadamente sobre o tempo e do silêncio da poeira ainda possa soletrar teu nome sobre as águas e a tão inutilmente que nem da palavra amor vitória réstia da memória na busca pertinaz dos nossos descaminhos sob a náusea e o terror desenhando nos teus lábios do ciúme salve-me rainha dessas vozes símiles abismos labirintos desde a última vez que nos falamos grambel calou tua boca de onde nada mais ouvia

arturgomes
in BraziLírica Pereira: A Traição das Metáforas
www.tvfulinaima.blogspot.com

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