quarta-feira, 9 de maio de 2012

Tropicalirismo


girassóis pousando
Nu teu corpo festa
beija-flor seresta
poesia fosse
esse sol que emana
do teu fogo farto
lambuzando a uva
de saliva doce





Bolero Blue


beber desse conhac
em tua boca
para matar a febre
nas entranhas entredentes
indecente é a forma que te como
bebo ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo
é que a fome desse beijo
furta qualquer outra palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne que não sai





Lunática

um gato noturno
atira pedra nas estrelas
palavras e mais palavras
na carne da princesa
onde o papel não bate
onde o pincel não toca
o gato noturno
lambe a virilha bem perto da barriga
e trepa no muro mais próximo
tentando alcançar o outro lado da lua
em seu instante letal de desespero e solidão



artur gomes

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