quarta-feira, 9 de maio de 2012

VeraCidade



por quê trancar as portas
tentar proibir as entradas
se já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas?
um beija-flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável

eu tenho fome de terra
e esse asfalto sob a sola dos meus pés
agulha nos meus dedos

quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo
entre o real e o imaginário
João Guimarães Rosa Caio Prado Martins Fontes
um bacanal de ruas tortas

eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na Cacomanga
matagal onde nasci
com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada
na carne da rua Aurora

Artur Gomes

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