terça-feira, 3 de julho de 2012

O triunfo do general mandíbula


foto: artur gomes


faca entre os dentes, trinados
de gralhas nos ouvidos, mergulho
no rio dos sonhos, desço ao mundo
dos mortos,  piratas na proa
do navio fantasma, golfinhos
saltando no mar revolto, demônio
vestido com roupas de fada, buraco
esculpido na camada de ozônio, ninguém
responde ao chamado, vozes
estranhas nas secretária eletrônica,
a agência do bradesco arde
em chamas, punks desfilam nas ruas
de copacabana, o caos eco nas ruínas,
escuras esquinas do inferno,  pompeia,
são paulo, istambul, atenas, a moda
do outono é a decência do inverno,
dizem que os profetas só predizem
desatinos,  pássaros tenebrosos nublam
presságios, o cacto rubro desconhece
a flor, do destino, é no silêncio
que os banqueiros multiplicam seus
ágios, quebram-se dentes, racham
mandíbulas, ossos estralam nas tumbas,
o vento varre os edifícios da cidade,
baleia destroçam submarinos, bruxo
eslavos rasuram signos mágicos, otários
neochics imitam macacos, cadelas
burguesas tomam no rabo, hackers
detonam a massa na TV a cabo, nada faz
sentido nessa névoa de bosta, lama
espessa subindo dos pés ao pescoço,
caronte enlouquecido brandindo
seus remos, vermes homicidas às espera
do almoço

Ademir Assunção
In A Voz do Ventríloquo



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