segunda-feira, 2 de julho de 2012

A última gota d´água



bem abaixo
o labirinto é mais embaixo
vou e me atrevo a dizer
que o oco do mundo
aqui bem próximo
faz morada no teu corpo
cavalo das mil noites
que não aconteceram
peixe das mil vértebras
carcomidas pelo sal dos mares
e ferro dos navios naufragados
lama dos despejos dos esgotos
que jorramos sobre tua carne
beijo esse mundo de escombros
como se em tua boca
depositasse a desesperança
de um país  já destroçado
e a miséria está nos ossos
de cada ser que insiste em vida
na última gota d´água
no deserto que o século fabricou

arturgomes

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