quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Cavalo Selvagem



 foto: artur gomes
eu sou cavalo selvagem
não sei do peso da sela
não tenho freio nos beiços
nem cabresto
nem marca de ferro quente
não tenho crina cortada
não sou bicho de  curral
eu sou cavalo selvagem
meu pasto é campo sem fim
para mim não existe cerca
sigo somente o capim
eu sou cavalo selvagem
selvagem é minha alegria
de ser livre noite e dia
selvagem é só apelido
meu nome mesmo é cavalo
cavalo solto no pasto
veloz carreira que faço
lavrado todo atravesso
caminhos no campo eu traço
eu corro livre galope
transformo galope em verso
eu sou cavalo selvagem
sou garanhão neste campo
eu sou rebelde alazão
sou personagem de lendas
sou conversa nas fazendas
sou filho livre do chão
eu sou cavalo selvagem
meu mundo é a imensidão

Eliakin Rufino
In Cavalo Selvagem
VALER Editora


várias foram as alegrias e os momentos de maravilhas vividos este ano na edição do 20° Congresso Brasileiro de Poesia em Bento Gonçalves-RS. Fixo-me neste momento na emoção de receber das  mãos da Odara, filha de Eliakin Rufino, o livro do seu pai Cavalo Selvagem. Eliakin é um desses poetas que quanto mais se lê, mas precisa-se, pois traz em sua poesia a propriedade essencial do homem: a liberdade. E o poema acima é a sua própria definição. Foi em Bento Gonçalves mesmo que o conheci e desde então sua poesia tem alimentado a minha fonte de trans-piração.

Artur Gomes

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