sábado, 24 de novembro de 2012

poéticas


poética 26

a faca
afiada de metal
rasga
os bagos da fruta
enquanto outra faca
de carne não de aço
cospe em solidão
o líquido do amor
que não fizemos

poética 27

paixão é tudo
entre teu corpo e o poema
a faca desliza
amolada
entre a casca e a pele da fruta

quando sair para o banho
acenda a luz do abajour
aos pés da cama
e deixe que eu escreva nos lençóis
as palavras selvagens
que baudelaire nos ensinou

artur gomes
www.tvfulinaima.blogspot.com




esse fio que corta em sangue a solidão, desenha azul no céu enquanto piso em pedras no meu colchão. não há nele lençóis que cobrem e nem nos protegem do áspero que nus revestem. o que me veste me embaraça longe do teu corpo e dos teus pés

Gisele Natali

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